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Via não dedicada às Taipas
Segunda-feira, Março 13, 2017

Anunciada como a salvação do Avepark, a Via Dedicada, inicialmente pensada para ligar a rotunda de Fermentões ao Avepark, depois de atravessar montes e vales e inúmeras freguesias, mereceu oposição de associações ambientalistas e de grupos de cidadãos das freguesias onde a pensada mas não projectada “Via do Avepark” passaria, dividia, poluia, agredia e descaraterizava.

Sempre ouvi falar em gasto de cerca € 18.000.000,00 de euros. Mas isto de orçamentos é uma caixinha de surpresas – desagradável para o erário público mas agradável para os empreiteiros, arquitectos e engenheiros que, vai lá saber-se porquê, participam nos esquecimentos de obras não contempladas nos projectos.

Mas essa entidade abstrata chamada Erário Público, divindade que se senta ao lado de Deus e aspira a ser uma pessoa da santissima trindade, exercitando os poderes divinos, através da ATA, de multiplicar dinheiro de impostos, taxas, coimas e custas, não sente, não reclama, não barafusta, não “berra”. Paga e propagandeia a obra feita. A obra é o Verbo e o Verbo é a palavra feita obra, o principio e o fim. O verbo é a palavra dada; palavra “des”honrada e não mais retirada. E depois do verbo há o verbo traduzido em panfletos, cartazes de dimensão máxima, jornais do regime a propagandear e não a informar, entrevistas, inaugurações, placas egocêntricas assinaladas com pseudónimos, para legitimar o que se quer impor.

Mas a obra do Deus “Erário Público” pode ser obra do diabo, de belzebu que, diz a tradição, se esconde nos lugares mais recônditos dos montes e vales a atravessar pela “Via do Ave Park”.

Enquanto a Câmara de Guimarães, PS tout court, se envaidece com tamanha proeza, a Nacional 101 continua uma rua desordenada e caótica; As Taipas continuam a usar as estradas municipais e nacionais; a ligação à Auto Estrada é uma aspiração adiada e continua tudo na mesma. É um isolamento que não pode ser aprofundado.

A Via dedicada ou não dedicada mas alternativa para o Avepark, nas conjecturas da Câmara, vai acentuar o isolamento das Taipas; e por isso a oposição de quem se interessa pelas Taipas. Esta Terra ainda não atingiu um grau de atratividade que lhe permita disputar com Guimarães, Braga ou Porto uma posição de fixação de pessoas.

E se é certo que o dinheiro destinado a esta Via não vem de Bruxelas, porque não emendar o erro histórico e fazer-se, finalmente, a ligação à Auto Estrada, aqui bem perto, em Brito; e com a mesma verba requalificar a 101: o mesmo dinheiro resolvia muitos problemas e não criava nenhum.

Dessa forma conseguia-se: a ligação do Ave Park à Auto Estrada muito mais perto do que a anunciada Via; continuava a região das Taipas a manter-se o centro de ligação ao Ave Park; ligávamos as Taipas ao mundo – Auto Estrada; e aproximávamos as Taipas da cidade de Guimarães, com a requalificação da EN 101.

“Elementar meu caro Watson” – Diria Sherlock Holmes.