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“Verde que te quiero verde”
Quinta-feira, Abril 5, 2018

O ambiente, a par da mobilidade, foi identificado por mim na última campanha eleitoral enquanto candidato pela CDU, como área prioritária e fundamental para o equilíbrio e a sustentabilidade ambiental que todos desejamos num futuro próximo para o concelho de Guimarães.

É conhecida a posição consensual que assumimos, com o executivo municipal, sobre a intenção de candidatura ao título de Guimarães, Capital Verde Europeia e sempre defendemos que tão ou mais importante que qualquer título seria o caminho que teríamos de percorrer e construir para o conquistar.

O território vimaranense é banhado por dois rios, o Ave e o seu principal afluente o Vizela, e por inúmeras linhas de água com destaque pela centralidade, para as Ribeiras de Selho e de Couros. Os rios e os seus afluentes são peças incontornáveis que nenhum programa sério e consistente de melhoria das condições de vida pode desprezar ou sequer menosprezar.

Infelizmente somos confrontados amiúde com notícias sobre descargas poluentes nas nossas linhas de água. Ainda muito recentemente foi divulgado, pelas redes sociais, imagens da caixa dum colector cuja tampa levantada pela pressão do caudal, libertava águas residuais coloridas e poluídas, directamente para o leito da Ribeira de Selho, na freguesia de S.Lourenço.

A este tipo de ocorrência seguido de imediato por um coro de protestos de pessoas singulares, associações ambientais, entidades políticas e públicas, todos genuinamente indignados perante a impotência em parar estes crimes ambientais, sucede o discurso dos responsáveis locais e nacionais sobre estes episódios que alinham quase sempre pelo mesmo diapasão, e que o povo tão bem costuma definir como tentando “sacudir a água do capote”: para a Câmara Municipal de Guimarães a culpa ou é do Ministério do Ambiente ou é das águas das chuvas que em alguns locais erradamente, estão misturadas com o colector das águas residuais. Sobre a culpa conclui-se que continua solteira…

Será pedir de mais num concelho que tem como imperativo local tornar-se exemplo e referência na área ambiental que estes cursos de água estejam completamente despoluídos e ao serviço das populações quer na satisfação das suas necessidades domésticas mais básicas quer no seu usufruto e lazer?

Exige-se uma postura activa por parte do executivo municipal diferente da até aqui protagonizada sem qualquer sucesso real. Não podemos permitir que se prolongue mais o passa culpas de responsabilidade e que na prática a todos desresponsabiliza e nada resolve. Basta de manobras de ilusionismo, basta de reuniões e de fazer de conta que estão a despoluir o rio sem o despoluir.

Os problemas estão mais que identificados e precisamos apenas de ouvir, a quem de direito quanto se vai gastar para separar devidamente as águas pluviais das águas residuais para acabar de vez com estes focos poluidores!

O ambiente e a nossa qualidade de vida agradecem.