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Vamos combater a resistência aos antibióticos?
Quarta-feira, Maio 18, 2016

Sara Magalhães
Médica IMGF

 

Nas últimas décadas os avanços na descoberta de novos antibióticos tem sido mais lento que o número de novos microorganismos a combater. Assim, existe o risco de os antibióticos de que dispomos deixarem de funcionar quando precisamos deles. E porquê?

Imagine o leitor, que nestes primeiros dias de praia, gozando do calor do sol, adormecia! Um par de horas depois acordava com uma brilhante queimadura solar. Pensava para os seus botões “que tonto que fui, mas…não vai voltar a acontecer. Da próxima vez levarei um bom protector solar e a adormecer… só à sombra”. Isto é, arranjou mecanismos para o sol não lhe fazer mal.

Com as bactérias passa-se exactamente o mesmo. Perante o perigo dos antibióticos vão aprendendo a resistir-lhes. Poderão morrer milhões delas mas, vão guardando informação que passam à descendência, até acabarem por arranjar maneira de lhes resistir. Digamos que encontraram o seu “protector solar”!

Os antibióticos são usados para o tratamento de infeções provocadas por bactérias. Não têm qualquer efeito contra infeções provocadas por vírus. Logo, nem todas as infeções necessitam de antibiótico. Saiba, também, que há muitíssimas mais infecções provocadas por vírus que por bactérias. Assim, as “constipações e gripes” são provocadas por vírus e, a estes, os antibióticos nem cócegas lhes fazem. Quem trata “da saúde” aos vírus é o nosso sistema imunitário, as nossas células de defesa. Poderão demorar uns dias, mas conseguem-no. Portanto não peça ao seu médico antibiótico para “gripes, constipações e dores da garganta”.

Usar os antibióticos cuidadosamente pode ajudar a reduzir as hipóteses das bactérias se tornarem resistentes. Estas não são todas iguais. São pestinhas, umas piores que as outras.

Nunca tome um antibiótico sem antes se aconselhar com o seu médico sobre a necessidade do mesmo. Cada infeção tem as suas características e as bactérias que causam uma infecção urinária não são exactamente as mesmas que causam uma otite ou uma pneumonia. O médico avaliará a sua situação e em caso de necessidade prescreverá o antibiótico adequado. Não tome o antibiótico que sobrou de uma outra infeção que teve noutra altura pois, se o antibiótico não for adequado para a bactéria em questão, não só não lhe causará dano como até poderá contribuir para que ela adquira mais resistências à sua acção.

PRESTE ATENÇÃO

  • Tome o antibiótico na dose certa! Tomar maior quantidade não vai ajudar a tratar a infeção. Pelo contrário poderá sofrer efeitos tóxicos se a dose for exagerada.
  • Tome o antibiótico na hora indicada! Os antibióticos devem ser tomados nos intervalos recomendados pelo médico. Antecipar ou atrasar a hora, vai ter efeitos negativos no combate á infeção.
  • Tome o antibiótico na duração certa! Os antibióticos devem ser tomados pelo número de dias indicado pelo seu médico.
  • Encurtar o nº de dias vai prejudicar o efeito do antibiótico, pois matará algumas bactérias mas, as mais resistentes do grupo resistirão e aprenderão a sobreviver na sua presença.
  • Tome o antibiótico indicado para cada situação! O seu médico vai dizer-lhe qual!
  • Verifique a data de validade do seu antibiótico antes de o tomar.

O antibiótico gosta de:

  • Dose certa
  • Hora certa
  • Duração certa
  • Situação certa

Vamos todos contribuir para derrotar as bactérias.