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Valor dos nossos “contentores”!
Terça-feira, Agosto 21, 2018

Todos nascemos com vários “contentores” que vamos enchendo à medida que vamos avançando, passo a passo, na vereda da vida.

Há um contentor para as ferramentas onde guardamos todas as que vamos adquirindo de uma forma ou de outra. As palavras são essenciais. Começamos pelas orais e, alguns anos depois, com aprendizagem mais ou menos difícil, conquistamos as escritas. Ficamos, então, com duas ferramentas de grande utilidade: a leitura e a escrita.

Pela mesma altura, fazemos uma outra aquisição- aprendemos a contar. E adquirimos uma ferramenta que nos ajuda a compreender o mundo e a singrar nele. O dinheiro é muito importante na vida e há que saber contá-lo, controlá-lo com os investimentos certos para que se multiplique e gastá-lo de forma controlada e correta para que não desapareça.

Atualmente, há uma ferramenta essencial- a informática. Há que saber lidar com o hardware e o software das máquinas que temos à nossa disposição e que, frequentemente e cada vez mais, se utilizam para o mal e não para o avanço tecnológico e científico da nossa sociedade.

Depois temos o contentor das aprendizagens onde colocamos os conhecimentos que vamos “conquistando” com esforço, com persistência… ajudados pelos incentivos dos adultos com quem convivemos: pais, professores, familiares, amigos,… e que, infelizmente, pecam pela ausência, pela indiferença ou pela abstenção.

O contentor das emoções e dos sentimentos, dos valores, é muito importante, pois há alguns essenciais que temos de lá colocar desde cedo: o amor pelo próximo, pela família; a amizade; a compreensão; o perdão; a persistência; o querer sempre ir mais além; o reconhecimento do valor próprio e dos outros; o respeito por si e pelos demais; o sentimento de pertença a grupos cada vez mais amplos e variados: família, amigos, escola, trabalho, profissão, credo religioso, partido político, organizações não-governamentais, clubes variados,…

E é este contentor eu é mais desprezado pela sociedade, embora a educação para a cidadania seja uma tecla constantemente debatida nas e pelas escolas, São os governos, quem manda, os primeiros a desprezá-lo. Um pequeno exemplo que me chocou e deve ter chocado todos quantos estiveram atentos ao acontecimento. A melhor tese de doutoramento da Europa é portuguesa. Margarida Carvalho jogou com otimização combinatória e teoria dos jogos para provar que a matemática pode ajudar a maximizar o número de transplantes de rins, mobilizando hospitais de vários países. Se se concretizasse o sonho da doutora, o homem beneficiaria e muito. Ou seja, esta tese é um bem maior para o mundo e, aqui é que está o busílis, a jovem recebeu um Euro Doctoral Dissertation Award, com o valor de 1000€. Não, não me enganei, ela ganhou 1000 euros… O mundo está virado do avesso. Dar pontapés numa bola dá milhões e fazer algo que pode beneficiar a humanidade dá mil euros?

Este contentor está a ser manipulado pela ganância, pela incompreensão, pela estupidez e, enquanto assim for, esta sociedade vai de mal a pior e muito rapidamente caminha para o seu fim. Para os incrédulos que acham que a defesa do planeta se tornou num tema da moda, vejam o clima. Na Sibéria estão com 40º e nós aqui estamos com um verão que o não é e com temperaturas completamente descontroladas. De quem é a culpa? De todos nós que estamos a valorizar e a dar importância ao que não presta e desprezamos o que de ótimo têm as pessoas e não tomamos as medidas necessárias porque nos calamos e aceitamos o que os inconscientes que só olham para o seu umbigo querem.

Vamos ter de mudar e é já…

Fica aqui o lamento dos mil euros atribuídos à doutora Margarida Carvalho, que deveria, ela sim, ver mais três zeros no cheque que recebeu.