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Utentes da USF Ara de Trajano sem datas para consultas médicas
Utentes da USF Ara de Trajano sem datas para consultas médicas
Paulo Dumas
Quinta-feira, Novembro 16, 2017

Cerca de 2000 utentes ficaram sem médico de família, após a aposentação de um dos médicos da USF Ara de Trajano. Apesar dos casos mais graves estarem a ser acompanhados pelos médicos, há consultas que estão a ser desmarcadas, sem data de remarcação.

Os utentes que estavam na lista de médico de família do Dr. Mário Dias de Castro, entretanto aposentado, estão a ser informados que as consultas médicas que tinham marcadas na USF Ara de Trajano foram canceladas, sem que haja uma nova data para serem remarcadas. Este constrangimento deve-se ao facto de a vaga aberta com a saída do ativo daquele médico não ter sido preenchida por outro médico, assegurando o atendimento normal de 40 horas por semana.

A coordenadora da Unidade de Saúde Familiar Ara de Trajano, Dr.ª Sílvia Neto-Sousa, confirma que tem havido uma reprogramação das consultas daqueles utentes, em virtude de aquela unidade ter deixado de contar com os préstimos dos médicos que asseguravam as consultas num regime temporário, após a aposentação de Mário Dias de Castro.

A lista inicial de utentes que ficaram sem médico de família era de 2000. No entanto, Sílvia Neto-Sousa explica que alguns destes utentes tem procurado alternativas e têm-se deslocalizado para outras USFs. Atualmente será de 1600 a lista de utentes a aguardar por médico de família na USF Ara de Trajano.

Esta situação precária remonta a maio de 2015, altura em que Mário Dias de Castro se afastou por motivos de saúde. A essa baixa médica sucedeu a aposentação daquele médico, em setembro de 2016. Desde então já têm sido abertos concursos à razão de dois por ano. Mas, apesar dos pedidos da coordenação da USF, não tem havido abertura da vaga para a USF Ara de Trajano.

Um médico diferente em cada consulta
Neste período de dois anos e meio, os utentes têm sido recebidos sempre por médicos diferentes. Até dezembro de 2016, as consultas foram feitas com uma médica que entretanto foi colocada em S. Cosme do Vale, no concelho de Vila Nova de Famalicão. Havia indicações por parte da ARS Norte que, em concursos seguintes, seria aberta uma vaga para que essa médica voltasse para a USF Ara de Trajano, o que não veio a acontecer.

Já em 2017, entre janeiro e junho, as consultas foram feitas por médicos internos, que garantiam praticamente um atendimento a tempo inteiro. Com o final do ano letivo, esses médicos optaram por não continuar a fazer horas extraordinárias. Entre junho e outubro, as consultas foram asseguradas por médicos que aguardavam os resultados de concursos para serem colocados.

Desde o início de novembro, com a colocação daqueles médicos, as consultas estão a ser feitas com duas horas extraordinárias dos médicos da USF. Ou seja, são apenas três horas por dia, em média, para atender os utentes que estão sem médico de família – “é impossível assegurar o atendimento a 1600 utentes em apenas 15 horas por semana”, desabafa a médica coordenadora, Sílvia Neto-Sousa.

Novo médico poderá iniciar funções em janeiro de 2018
A mesma médica tem esperança que, no concurso que se encontra atualmente a decorrer, a situação fique resolvida. Se a ARS Norte atribuir o médico que falta, este ficará colocado em janeiro, isto se o concurso não for impugnado. Esta esperança de Sílvia Neto-Sousa é dita com um misto de confiança de que a situação estará resolvida em breve, mas ao mesmo tempo com reservas, já que as garantias são as mesmas que foram dadas nos concursos anteriores.

Para já, a prioridade são os doentes diabéticos, hipertensos, as consultas de saúde materna e saúde infantil, controle de sangue, baixas médicas. Também as “consultas abertas”, que atendem situações agudas, estão a ser garantidas. “Só isto esgota o tempo dedicado a estes utentes” – explica a médica. Todos os restantes doentes da unidade, distribuídos pelos restantes médicos, estão a ser atendidos conforme o previsto.

Uma grande parte de utentes que tinham consulta marcada foram contactados sendo informados que os médicos que estavam a assegurar as consultas já não estavam na unidade e que eram os médicos da USF que estavam a assegurar os casos mais graves. Para os outros casos de consultas de rotina, não há ainda previsão de quando poderão ser remarcadas as consultas.

A ARS-Norte foi contactada para esclarecer de que forma e quando poderá ser dada resolução a esta situação com mais de dois anos. Não foi contudo possível obter qualquer declaração até à hora de publicação deste texto.