Uma inauguração como no tempo de Salazar
Quarta-feira, Julho 10, 2019

A EB 2,3 de Caldas das Taipas foi inaugurada, digo, finalmente, para ser coerente com a crónica que já aqui expus. Para ser mais rigoroso digo que o novo edifício da EB 2,3 de Caldas das Taipas foi oficialmente inaugurado porque a entidade competente que o construiu assim o determinou.

Não existe na lei qualquer obrigação de inaugurar o que quer que seja oficialmente – não é uma competência que esteja prevista na lei. Mas como a lei não proíbe, admite-se que pode ser assim. E admite-se porque tal momento constitui uma oportunidade de afirmar a democracia, de afirmar o povo, de afirmar quanto o povo (contribuintes) contribui para as obras públicas e que o dinheiro do povo também pode ser bem gasto. Neste caso, porque era uma necessidade, a comunidade organizada em estado – a Câmara Municipal é a administração local do estado – respondeu positivamente à satisfação da necessidade.

O novo edifício vai proporcionar e potenciar um conjunto de finalidades, constantes no projecto educativo da escola e do concelho, que a maioria da população não tem consciência:
a) A escola como um local natural de aprendizagem e crescimento obrigatório dos filhos de todos e não dos de “algo”;
b) A escola como um local de integração e de inclusão social que não deve deixar ninguém excluído;
c) A afirmação da escola pública como uma referência de qualidade e cada deva ser uma opção clara das famílias;
d) A escola multifacetada que combate pela sua oferta e diversidade o abandono escolar;
e) Uma escola interactiva com a comunidade local que transmite e absorve os seus saberes e coopera com as organizações da sociedade civil;
f) Ajudar a desenvolver o desporto local.

Num quadro não fechado e meramente exemplificativo, são essas as vantagens evidentes de ter um edifício novo, com construções adaptadas ao projecto educativo.

A inauguração “oficial” seria a oportunidade de reflectir e afirmar a importância local e para o concelho de tão valiosa obra inserindo-a no contexto sócio-económico da zona norte do concelho. Ao invés, o representante da entidade que a inaugurou – município de Guimarães – e os restantes oradores quiseram entrar por caminhos de afirmação pessoal, de sublimação de personalidades, de individualização de aparentes méritos que só políticos que nasceram depois do 25 de Abril e que se esqueceram do que era uma inauguração do tempo do fascismo podem aceitar. A democracia conquistada no 25 de Abril realiza-se em cada acto de exercício do poder e de exibição desse poder.

As intervenções políticas da inauguração da EB 2,3 cheiraram a salazarismo. Depois, como virgens ofendidas, queixam-se do crescimento dos movimentos extremistas.