PUB
Um primeiro adeus à Escola Básica das Taipas
Sexta-feira, Junho 9, 2017

Que a nostalgia e a saudade imbuídas de um forte sentido de realização pessoal e profissional me envolvam no seu abraço indesejado, mas presente, é uma realidade contra a qual não tento sequer lutar.

Mais de trinta anos de uma vida profissional vão ficar soterrados nos alicerces da nova EB Taipas que vai nascer. Um edifício lindíssimo, de linhas arrojadas, com instalações que estes jovens e esta terra já mereciam há muito, mas que não vai ser “meu”, pois apenas lá vou passar um/ dois anos, o que não é nada e não chega para criar raízes, isto se as birras do Ministério da Educação não mudarem entretanto as regras. Deverá ser a escola dos meus “netos”, se o futuro se deixar prever.

E o adeus é tanto mais difícil quando se faz o luto por muita coisa ao mesmo tempo. O mais antigo jornal da vila, premiado nacionalmente por duas vezes – O Pequeno Jornalista – despede-se. Sairá este número e uma edição especial no ano de arranque das novas instalações se por cá me encontrar e a direção o desejar. Morre assim o Clube de Jornalismo / Oficina de Jornalismo e de Escrita Criativa com trinta anos e o jornal com vinte e nove na sua 60.ª edição. O desfasamento deve-se a que, no ano de formação do clube, saiu a única edição do Taipal, o primeiro jornal que criei já que a escola era C+S.

Acaba também a Páscoa Florida com os seus tapetes coloridos e as suas mesas de Páscoa e a criatividade à solta, uma atividade muito apreciada pelos alunos que me era muito querida e que surgiu com o Projeto “A Escola Como Uma Mini Cidade”. Apenas ficarão as fotos, os vídeos a memória de quem a viveu desde 1994-95, já que os azulejos que nomeiam as ruas e praças da escola não se podem retirar.

E é precisamente neste ano que faço as bodas de prata na gestão da escola. Há 25 anos que a ajudo a dirigir nos seus múltiplos cargos: vogal, vice-presidente, subdiretora. Uma data marcante que me enche de satisfação pelo dever cumprido e por ter “vestido a camisola” desta escola/ agrupamento a 200%, tanto na direção como fora dela, pois fui delegada de Português durante oito anos e representante de Português do 3.º ciclo no Conselho Pedagógico. Sempre dei o máximo e sempre lutei pelos meus alunos, pela minha escola e por esta terra onde me acolhi faz trinta e sete anos.

E foram tantos os projetos desenvolvidos, tantos os prémios ganhos a nível local, regional e nacional tanto na parte académica como na desportiva, tantas as gargalhadas e os arrufos que uniram o núcleo duro desta escola que, aos poucos, está a desaparecer…

Já há poucos da minha “época” (sou a professora mais velha do agrupamento) e a aposentação está à vista. Cabe agora aos novos moldar a nova escola, dar-lhe vida.

Espero que esta Escola Básica das Taipas tenha tanto sucesso como teve a que agora vai desaparecer e que o ambiente que nela se viva seja semelhante ao que aqui sempre se sentiu – uma porta aberta a quem quiser fazer uma visita.