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Um pouco de férias todos os dias
Quarta-feira, Setembro 6, 2006

“O opulento industrial estava horrorizado por ver o pescador estendido preguiçosamente ao lado do seu barco.
– Porque é que não anda na pesca? perguntou o industrial.
– Porque já pesquei bastante hoje – respondeu o pescador.
– E porque é que não pesca mais do que o estritamente necessário para hoje?
– O que faria com os peixes?
– Poderia ganhar mais dinheiro. Com esse dinheiro poderia pôr um motor no seu barco, e pescar mais peixe ainda. Isso permitir-lhe-ia comprar redes de nylon. E essas redes trazer-lhe-iam mais peixe, e naturalmente mais dinheiro para poder ter mais barcos… talvez mesmo uma frota de barcos. E então seria um homem rico como eu.
– E o que faria então?
– Então deitava-se a gozar a vida!
– E o que é que o senhor pensa que eu estou a fazer neste momento?”

Eloy Pinho
em paisagens com Deus ao fundo

Esta história fez-me reflectir se, por vezes, a cultura materialista em que vivemos não nos torna demasiado ambiciosos. Inventamos sempre mais trabalho e projectos e deixamos de ter tempo para viver repousadamente.
A sabedoria deste homem é impressionante: trabalhava o necessário e assim podia descansar em cada dia para retomar forças para trabalhar no dia seguinte.
Imaginem que esta seria a máxima da nossa vida: não ser demasiados ambiciosos! Deixaríamos o trabalho para os desempregados, teríamos mais tempo para nós, mais tempo para a família, mais tempo para as coisas importantes da vida. Quem nos garante que no fim do ano de trabalho poderemos ter tempo para gozar as férias? Quem nos garante que tudo aquilo que construímos ficará de pé por muito tempo?
A ambição está associada ao consumismo desenfreado de bens, produtos e serviços. Por vezes, até nas férias somos demasiado ambiciosos, pensando que elas nos fazem milagres, quando afinal o milagre está em viver a vida, em cada dia do ano, em modo pacífico connosco, com os outros e com Deus. Só nisto devemos ser ambiciosos, não nos darmos por satisfeitos.