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Um plano que ignora as Vilas
Quarta-feira, Janeiro 2, 2019

Está em discussão pública o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS). A câmara apresenta em 2018 um plano, uma estratégia que deveria já existir há muitos anos. Este é um dos principais problemas da gestão da autarquia Vimaranense. Há áreas estratégicas que deveriam ter sido já trabalhadas com profundidade, preparando o concelho para os desafios do presente.

Mesmo assim, mais vale tarde que nunca. O PSD, no âmbito da Coligação que integramos nas últimas eleições autárquicas, apresentou propostas muito concretas que urge executar e que este plano agora denuncia. Em abono da verdade, fomos a única candidatura a apresentar um modelo de desenvolvimento assente numa estratégia de afirmação da cidade e da sua interligação ao restante território.

Este plano, sendo positivo na dimensão em que se foca, tem para mim um pecado capital. Apenas pensa a cidade, esquecendo-se das Vilas. Apenas 1/3 da população reside nesta área de análise, ficando de fora a parte mais significativa. Importa pensar a mobilidade como um todo, fomentando, também por esta via, a coesão territorial.

Um outro aspeto que desiludiu na análise a este plano é a ausência de uma estratégia para os transportes públicos. É sabido que está na forja mais um plano que devia o concelho conhecer há muito tempo – o Plano de Transportes, mas num documento estratégico como o PMUS esta matéria deveria ser já muito clara, especialmente em vésperas de renegociação da concessão dos transportes urbanos.

Nada diz o plano sobre as principais ligações às zonas mais populosas do concelho, exceto a ligação ao Avepark. Não deveria um plano de mobilidade definir claramente os eixos rodoviários a requalificar onde se privilegiasse o uso de transportes alternativos ao automóvel? No contributo que enviamos no âmbito da discussão pública reiteramos as propostas que defendemos para interligar o concelho requalificando as estradas principais, aproximando as freguesias da sua cidade.

A proposta espelha, também, algo que temos insistido e que agora fica muito evidente. Há um erro de base na definição das ciclovias em Guimarães. Uma ciclovia deve ser pensada como elemento facilitador da mobilidade dos cidadãos, especialmente para o seu local de trabalho, mas as que temos construído servem, essencialmente, para lazer e desporto. Era bom que se alterasse esta visão das ciclovias.

Estes são alguns exemplos dos erros e omissões deste Plano de Mobilidade que desejo seja o documento agora melhorado no âmbito da discussão pública.

Aproveito a oportunidade para desejar a todos os leitores do Reflexo e aos Vimaranenses em geral, um ano de 2019 muito positivo.