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Um exercício de pseudocriatividade
Terça-feira, Outubro 6, 2020

Os ecos entrechocam-se: família, escola, saúde, ambiente, solidariedade, civismo…

Toda esta miscelânea se reúne na Maria Teresa Portal Guimarães de Oliveira.

Não vou escrever a história da minha vida, que daria um calhamaço bem grosso, vou apenas realizar um exercício de escrita criativa que exigia aos meus alunos num dos primeiros dias de aula – a narração do início de uma história com o seu nome completo. Havia os felizardos, como eu, que tinham apelidos que podiam ser usados como nomes próprios ou comuns – o Portal e o Oliveira – outros não tinham essa sorte.

E, como sempre, quando eles escreviam eu escrevia também. Não sei quantas histórias comecei com o meu nome. Desapareceram em disquetes não copiadas para CDs, em computadores formatados com conteúdos por retirar, em pens perdidas ou “desviadas”…

Hoje, a história vai ser outra, verdadeira.

“Era uma vez a Maria que ganhou vida no gmail (onde é a Maria Oliveira) e em todas as chamadas telefónicas ou por telemóvel de empresas, bancos ou operadoras de telecomunicações e entrou em conflito aberto com a Teresa, o seu verdadeiro nome de batismo. Esta mulher faz parte de um mundo que nasceu em 1917 e se manteve ativo, mais ou menos até à década de 60, em que todas as pessoas do sexo feminino eram Maria qualquer coisa ou vice-versa (e muitas do masculino qualquer coisa Maria), resultado da aparição de Maria em Fátima. Só lá em casa eram quatro marias. Porém, ela nunca se identificou como Maria (embora seja um nome que adora), sempre foi a Teresa, em honra de Sta Teresinha do Menino Jesus, ou a Maria Teresa como pede a todos quantos lhe chamam Maria.

Pois a Maria Teresa foi professora e não deixou de o ser (uma vez professora sempre professora) e o portal que atravessou trouxe-a para outra dimensão – da cidade para o campo de um dia para o outro, há quarenta anos. Que mudança mais abrupta! De uma localização citadina para uma casa no meio da verdura, completamente isolada, em que dava os bons dias às vacas que, pachorrentamente, pastavam nos campos à frente e atrás da casa, rodeada de pinhais. Um autêntico mergulho no verde e na escuridão por muito tempo. A estrada nacional não era iluminada (teima entre freguesias) e chegou a entrar em casa às apalpadelas pois os candeeiros acabavam na Rabata e recomeçavam mais acima, em Sto Estêvão. Vivia numa zona de eucaliptos, pinheiros, árvores de fruto e uma oliveira, aqui ou ali, em terreno particular. E viu muitos coelhos bravos e chegou a ver raposas. Com as cobras conviveu durante muito tempo, já que também habitavam no jardim e nos alicerces da casa.

Quando começou a lecionar na vila, era ainda a “destruída” escola nova, era habitual fazerem-se visitas de estudo com todas as turmas de um determinado ano de escolaridade e um dos locais escolhidos era Guimarães, a cidade-berço, com o seu castelo, o Paço dos Duques, os museus, o centro histórico (que na altura ainda não era)…

Mal sabia a Maria Teresa o que o horóscopo lhe reservara!”

Fui sublinhando os nomes para verificarem que cumpri o exercício e até o expandi propositadamente.

Todos aqueles nomes iniciais têm a ver com a minha realização pessoal, profissional e social. Todos sabem quem fui e o que fui e, inclusive, que sou uma Rotária há 20 anos e com muito orgulho, tendo ajudado a criar os clubes dos jovens- o Rotaract e o Interact.

Vou apenas focar um outro aspeto que me abrange a mim e a muitos outros. Recentemente, postei no Facebook um texto sobre as doenças autoimunes. Lá são enumeradas. Ninguém que as tenha (e o número vai aumentando exponencialmente) quer que tenham pena (ter pena significa que se olha alguém como sendo inferior e que precisa de caridade), pede é compaixão (significa que se é solidário, que o outro é igual mas necessita de ajuda). Assim, quando uma pessoa disser que tem atendimento prioritário não a gozem, nem a ignorem ou insultem (já fui insultada!). Deem-lhe um sorriso, uma palavra amiga. Essas doenças não desaparecem e não põem rótulos na testa…

Cuidem-se! A Covid-19 continua aí e veio para ficar por uns tempos. Eu sou de um grupo de grande risco, mas estamos todos no mesmo saco, pois, neste momento, temos de combater duas doenças: essa e a estupidez dos que se recusam a tomar medidas de prevenção. Usem a máscara.

Sejam felizes!