PUB
“Um D. João Português” estreia amanhã
“Um D. João Português” estreia amanhã
Direitos Reservados
Quinta-feira, Janeiro 18, 2018

É já amanhã, 19, e no sábado, 20, que sobe ao palco do Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor, a peça “Um D. João Português”, de Luís Miguel Cintra. É o resultado do trabalho em residência artística em quatro cidades portuguesas e que culminou, em dezembro, na cidade-berço.

Ao Reflexo, o encenador Luís Miguel Cintra explica que se trata de “um projeto de teatro”, “dividido em quatro partes, cada uma dessas partes preparadas em cidades diferentes, de maneiras diferentes: no Montijo, Setúbal, Viseu e em Guimarães, onde se finalizou o projeto”. É em Guimarães que vai acontecer a estreia absoluta do espectáculo: Luís Miguel Cintra esteve em residência artística, em dezembro, com a quarta e última parte da peça: “Um D. João Português. A Escuridão ao Fim da Estrada”.

“Molière não foi o único autor a dedicar-se à figura de D. João. Ao longo dos séculos, o libertino inspirou obras de Tirso de Molina, Lord Byron e, talvez a mais famosa de todas, a ópera Don Giovanni, de Mozart. Luis Miguel Cintra parte de uma tradução de cordel portuguesa do séc. XVIII, anónima e em que o nome do dramaturgo francês é omisso, e evoca um conjunto de referências culturais e artísticas de vários tempos para construir um espetáculo em que D. João é, mais do que europeu, verdadeiramente português.”, lê-se na sinopse do evento, que é dividido em duas partes: Parte I (sexta, 19) e Parte II (sábado, 20).

A apresentação continua dizendo que “a vida vai-se revelando no contacto de ambos com as mais diversas realidades, da mais densa reflexão filosófica à entrega aos prazeres mais simples. Constante, porém, é a busca pela total liberdade por parte do protagonista, que tenta escapar a tudo aquilo que possa impedi-lo de viver como bem lhe apetece. Existe, ainda assim, um único limite que talvez não lhe seja possível transpor: a morte”.

“À espera de muito mais”

Luís Miguel Cintra, 68 anos, é um histórico da dramaturgia portuguesa, tendo fundado o Teatro da Cornucópia, em 1973. Há cerca de ano e meio, anunciou o fim da sua presença nos palcos de teatro, devido a problemas de saúde, mantendo-se ativo como encenador. Sobre a dinâmica cultural vimaranense revela alguma desilusão: “Em Guimarães, eu estava à espera de muito mais. Porque Guimarães tem um centro cultural importante, estava à espera que houvesse muito mais vida já criada pelo próprio centro e o que me pareceu foi uma atmosfera um bocadinho rarefeita nesse aspeto.”

Propõe aquilo que considera ser “o pensamento através das formas dramatúrgicas”: “não é um teatro para divertir, é uma forma de pensar através de coisas que as pessoas fazem com o seu corpo, palavras que dizem, situações que inventam”.