Treinadores de nova geração e futebol moderno
Quarta-feira, Dezembro 31, 2008

É da natureza do Homem seleccionar, agrupar, classificar e organizar tudo o que está à sua volta. No mundo do futebol isso também acontece, distinguimos os jogadores, os clubes, os treinadores, o estilo de futebol, etc.

Fico cada vez mais incomodado com aquilo que se tem dito sobre o rendimento das equipas e dos seus respectivos treinadores – se ganham são os fantásticos, mas se perdem passam a ser medíocres e banais.

Por norma, as pessoas são classificadas e avaliadas pelos resultados alcançados, ao invés de serem cotadas pelo desenvolvimento dos seus processos e métodos. Os treinadores de futebol são, à partida, ex-jogadores de futebol ou então são licenciados em ciências do desporto. É nesse ponto que se vive um enorme dilema quanto à classificação dos treinadores – os treinadores da nova geração são os licenciados em Desporto e os ex-jogadores de futebol são tidos como os “ignorantes” e oportunistas.

É bem verdade que é mais fácil chegar a um clube de topo se forem antigos jogadores de futebol, pois tiveram durante anos contactos muito próximos com os agentes directivos dos clubes. Os Srs. Profs. têm que ter provas dadas em outros clubes e tentar subir de forma gradual ao longo dos anos, temos exemplo do prof. Jesualdo Ferreira que chega ao F.C.P como sexagenário. Mas voltemos ao que nos interessa. Tanto os licenciados como os ex-jogadores podem ser competentes (J. Mourinho e C. Ancelotti) mas as suas aprendizagem foram certamente diferentes mas válidas. Uns através das experiencias recolhidas pelas suas vivências e outros através de estudos científicos e estágios de observação.

Tenho lido e ouvido algumas entrevistas de alguns “entendidos em futebol” que falam em futebol moderno, mas ainda não consegui encontrar o momento de viragem entre o futebol antigo e o moderno. É bem certo que existem diferenças entre estilo de futebol jogado e treinado em décadas anteriores e o futebol praticado hoje em dia, mas estamos a ser correctos a avaliação que fazemos. “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” é um pouco assim que tem acontecido com o futebol mas, do meu ponto de vista, será mais acertado dizer que “evoluem os tempos, adapta-se o futebol”. O futebol evolui, adapta-se a novas necessidades. Arsène Wenger, como comentador de futebol de um canal francês durante o campeonato do mundo, dizia que não ensinava a técnica mas eles inovam segundo as necessidades tácticas do jogo.

Enfim, não existe uma fórmula exacta para o sucesso mas existem vários caminhos para o alcançarmos, os tempos evoluem e o nosso dever é acompanhar a evolução e preferencialmente contribuir para o avanço e para o progresso.