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Trabalhos arqueológicos em São Domingos de Guimarães
Quinta-feira, Julho 2, 2020

Um dos capitéis do claustro de São Domingos de Guimarães (século XIV)

O claustro do antigo convento de São Domingos, em Guimarães, onde se encontra instalado o núcleo principal do Museu Martins Sarmento, será, nos próximos tempos, alvo de obras de conservação necessárias, a nível das paredes, de um dos lanços de arcaria do claustro e do pavimento das três alas cobertas do mesmo.

O convento medieval terá sido fundado em Dezembro de 1270, quando o Prior de São Domingos do Porto, com outros três dominicanos vieram a Guimarães “com o fim de levantarem aqui um convento da sua Ordem: e reunidos para tal fim com as pessoas mais notáveis da vila, na capela de S. Tiago da Praça, ali lhes foi concedida gostosamente a licença para a fundação projetada” (Pe. Ferreira Caldas, 1881 Guimarães, apontamentos para a sua história). Foi então construído o convento inicial junto a uma das torres da muralha da antiga vila, o que terá estado na origem da sua demolição por ordem de D. Dinis, por altura das convulsões que opuseram o Rei Lavrador a seu filho e sucessor D. Afonso IV. Terá sido reedificado, por volta de 1375, no local atual.

Este convento dominicano ficou imortalizado pela antiga igreja conventual de São Domingos, que desde 1914 é a igreja da Paróquia de São Paio, assim como pelas arcarias do claustro, considerado um dos expoentes do estilo gótico do Norte de Portugal, que terá sido edificado nos finais do século XIV. “Artisticamente inserido no ciclo de construções patrocinadas pela Dinastia de Avis – ou a ela relacionadas – este claustro é o principal indicador de como uma parcela importante dos melhores artistas da época, que trabalhavam no centro-Sul do país, se deslocaram ao Norte do reino e aí deixaram a sua marca.como consta na informação da Direção Geral do Património Cultural.

Depois de o convento ali ter funcionado durante séculos, a extinção oitocentista das ordens religiosas originou diferentes utilizações de parte do antigo edifício conventual, desde aquartelamento militar a tribunal, até que D. Luís o cedeu à Sociedade Martins Sarmento em 1888. A SMS substituiu o piso superior do claustro pela atual galeria em 1895, mantendo-se desde então o espaço com o mesmo aspeto, integrado na exposição do Museu Arqueológico.

A renovação do piso das três alas do claustro será antecedida por uma justificada intervenção arqueológica, que será a primeira a ser realizada neste espaço. Embora as expectativas não sejam elevadas, dado o significativo revolvimento de terras e alterações sofridas pelo edifício, talvez a intervenção possa clarificar a construção e evolução do antigo convento, obra prima do gótico no Norte do país e classificado como Monumento Nacional desde 1910.