Toque a reunir
Sexta-feira, Dezembro 16, 2016

Será que somos capazes de nos levantar para lutar para que não nos tirem aquilo que sempre tivemos? A pergunta pode parecer estranha, mas é a pergunta que a minha Geração tem que fazer. Felizmente nasci em democracia e na Europa. Não conheço a guerra nem a fome. Conheço a ditadura pelos livros de história e pelas histórias que me contam. Sempre vivi com ela, e como o ar que se respira quase não dou conta do essencial que é para mim: liberdade.

Vivemos tempos perigosos, muito perigosos mesmo. Já não estamos na fase dos avisos, entramos na fase da transição. O Brexit aconteceu, Trump ganhou, Renzi perdeu e Marine Le Pen prepara-se para transformar a pátria da “Liberdade, Fraternidade e Igualdade” na pátria do Racismo, Xenofobia e Nacionalismo. E está a acontecer agora, hoje. Não se fica pelos livros de história, é a história dos dias de hoje.

Imagino que nos inícios do séc. XX o sentimento fosse semelhante com a ascensão de Mussolini, Salazar e Hitler. Já conhecemos o resultado. Um resultado terrível, inenarrável, e desumano. Não aprendemos nada com a história, e ela está-se a repetir.

Queremos ser a geração que acabou com a liberdade e com a democracia? Queremos ser a geração de um novo holocausto? Queremos ser a geração de uma nova guerra mundial? Queremos que seja este o nosso legado? Desenganem-se os menos avisados, é isso que está em causa!

É esta a pergunta que a minha Geração tem de fazer agora, antes que seja tarde. Vamo-nos levantar e defender a paz e a liberdade que sempre tivemos? Ou vamos ser a geração que deixou o mundo mergulhado no caos e no terror.

Não, a responsabilidade não é dos outros. Não é dos mais velhos, não é dos políticos e do sistema. E não, não é uma inevitabilidade, podemos fazer a diferença, todos nós, cada um de nós, basta querermos. A responsabilidade é nossa, porque o mundo é nosso, porque os políticos temos que ser todos nós e porque o sistema somos nós que o fazemos. E se não nos dão temos que ir atrás e agarrar, lutar. Sempre foi assim. A batalha da geração dos nossos avós foi lutar para derrubar a ditadura, o desafio da nossa geração é lutar para que novas ditaduras não se levantem. Está na nossas mãos garantir que estes horrores não se erguem de novo. É a nossa obrigação.

Se até agora o que se via era fumo, agora temos fogo. Sabemos onde está o inimigo e sabemos o que ele quer. Sabemos o que temos de fazer. Chegou o tempo de escolher o lado: lutar ou capitular.

Começa hoje.