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Tolerância zero
Sexta-feira, Dezembro 16, 2016

É actual a notícia da existência de manifestações na Coreia do Sul, a exigir a demissão da 1.ª ministro deste país. A falta que cometeu tem a ver com a sua grande proximidade com uma amiga indiciada por corrupção.

A intolerância e intransigência para políticos que não sejam absolutamente corretos e acima de qualquer suspeita no exercício de funções públicas é uma das qualidades de países de cultura política desenvolvida. Semelhante exigência de demissão e de abandono compulsivo das funções públicas já aconteceu na Noruega e países nórdicos, a propósito de faltas de somenos importância.

Este intróito serve para dizer que o escrutínio do exercício de funções públicas é muito exigente em países com níveis de desenvolvimento social elevado; testemunhando a ideia de que não existe tolerância para quem comanda os destinos públicos.

Esta forma de os cidadãos se relacionarem com a causa pública tem na sua base vários factores:
– As elevadas taxas de imposto que faz com os cidadãos estejam vigilantes sobre o destino do seu dinheiro;
– o sentido apurado dos cidadãos com a causa pública;
– uma consciência comunitária extremamente desenvolvida assente na ideia de que o que é bom para todos aproveita em maior grau a cada um.

Esta forma de os cidadãos se relacionarem, informados, com a coisa pública faz com que os níveis de corrupção sejam minorados e, por consequência, o bem estar geral seja o mais beneficiado.

Parece que esta mentalidade de consciência colectiva na gestão da coisa pública, no trabalho e na organização social terá razões históricas, de clima, de adversidades naturais que a explicam e que foram penetrando na maneira de ser dos povos constituindo, estas, formas estruturais que determinam a vida em sociedade. O velho vocábulo de que a união faz a força encontra eco real e concreto nestes países.

Contrapondo o exposto, olhámos para nós, latinos periféricos, e constatámos uma marca de individualidade, quase egoísmo, na nossa relação com a coisa pública e com o exercício da vida em sociedade. Valorizámos o individual e esquecemos o colectivo; apreciamos o esperto que se safou, mesmo à custa da violação de regras de interesse colectivo; esperamos o golpe, o génio, a ideia, o milagre que nos salve e que nos conduza ao paraíso.

Numa democracia partidária e não directa, é absolutamente necessário que os partidos façam a triagem maior na escolha de candidatos; que sejam gente interessada na coisa pública real; que respeitem as populações; que as tratem por igual; que tenham opções de equidade; que avaliem os interesses pessoais de cada um, os conflitos de interesses e a necessidade de sobrevivência política.

Serão os partidos a primeira estação da moralização da coisa pública. Depois, os cidadãos, informados, esclarecidos, de mente aberta, de modo a ser intransigentes com quem usa e abusa do poder público.

Era altura de adquirirmos alguma forma de ser dos Nórdicos.