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Ter ou não ter “Humor”
Domingo, Agosto 11, 2019

Não tenho humor britânico, nem gosto de piada porca. Adoro a brejeirice, com os condimentos necessários e picantes q.b. A piada intelectualoide ou demasiado rebuscada deixa-me completamente impassível; não condescendo nem com a sombra de um sorriso.

Às vezes, sinto-me perfeitamente imbecil quando, em certos círculos, todos à minha volta se riem desbragadamente e eu permaneço ali, impávida e serena, alvo de todas as atenções por não participar na risota geral.

Outras vezes, associo-me à multidão anónima, ela sim imbeciloide, para me rir da triste figura que fazem. Hipocrisia? Não. Saber viver em sociedade.

Não me rio por dá cá aquela palha, mas sou risonha de meu natural, a não ser quando embrenhada em pensamentos nem sempre agradáveis.

O riso tem de ser merecido tal como os aplausos e os louvores.

Esse franzir dos músculos do rosto que faz tão bem e é tão saudável tem de ser sentido, verdadeiro.

Como já disse, não sou sorumbática e procuro ver a vida “colorida”, embora adore vestir o preto. “Para te esconderes”! sussurram alguns. “Porque sou gorda” respondo eu.

Uma mãe disse-me um dia que o filho gostava muito de mim, porque me estava sempre a rir. É… com os jovens “ladro mais do que mordo”, pois acredito na juventude; com os adultos, porém, engulo, engulo e estouro “mordendo”, principalmente quando são hipócritas, falsos, mentirosos, egocêntricos. Infelizmente ou felizmente, dependendo do prisma por onde se espreitar, sou inofensiva, muito crédula, estupidamente crédula e tenho muito, como digo, de Madre Teresa de Calcutá.

Agora si, felizmente, desde os 60 e, particularmente, desde que me reformei que não morro nem “estúpida” nem “entupida”: o que não sei e quero saber pergunto e o que tenho a dizer digo. Já não preciso de fazer “jogo de cintura” e, acima de tudo, não me preocupa a opinião dos outros. O mais que podem dizer é que a professora “descarrilou” de vez ou que queimou os “fusíveis”.

Que bela sensação de liberdade! Vivam os sessenta anos!

Não concordam comigo? É porque ainda não chegaram lá…