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Taipas XXI: Propostas de desenvolvimentoCriar uma marca e promover a imagem
Quarta-feira, Abril 7, 2004

De cada vez eu me sento à mesa num restaurante que ainda não conheço, pratico um ritual que herdei do meu avô e que, tenho a certeza, é praticado por muitos taipenses. Olho para a faca ou viro discretamente o garfo ao contrário e rapidamente “enriqueço” os meus companheiros de refeição com o conhecimento da origem dos talheres. São das Taipas, claro. Mas é sempre bom confirmar quem os fez… Rapidamente este “vício” ficou conhecido e, em jeito de brincadeira, já alguns amigos o fazem primeiro. Mas o impacto é muito maior quando é feito em países bem longe deste “luso jardim”. A surpresa é bem mais agradável e prova que temos na nossa vila um produto já difundido mundialmente, ligado a uma necessidade essencial a qualquer ser humano e colocado em qualquer mesa várias vezes por dia.
Mas será que em Portugal todos sabem que o nome das Taipas está associado às cutelarias?
Infelizmente, parece-me que não. E se não é assim em Portugal, muito menos será em qualquer outro país. O que é uma pena, diga-se de passagem…
Nesta era da globalização e com a integração europeia a desenvolver-se cada vez mais, a chamada Europa das regiões começa a ter um maior protagonismo, pelo que é importante que, para não perder o comboio, cada região aproveite as vantagens que lhe estão associadas.
Seguindo a mesma lógica – e esquecendo as questões e implicações no turismo, a abordar num próximo número do Reflexo – cada cidade, vila ou aldeia deve tirar partido das indústrias aí localizadas, não só para fazer aquilo que sabe fazer melhor, como também para desenvolver outras indústrias que de alguma forma lhe estejam ligadas, atraindo investimento e criando postos de trabalho. O aparecimento de empresas ligadas, por exemplo, às máquinas para a indústria da cutelaria e o desenvolvimento soluções tecnológicas em função das necessidades dos fabricantes de talheres é, de imediato, uma enorme vantagem para a competitividade do sector.
O primeiro desafio para o futuro prende-se, portanto, a um centro tecnológico que passe de um projecto no papel para uma forma concreta de parceria e desenvolvimento entre empresas e institutos de investigação.
Por outro lado, há a questão da promoção do sector, nacional e internacionalmente. E a este respeito lanço o segundo desafio: que o individualismo que nos caracteriza dê lugar a um associativismo saudável (o que é feito da associação das cutelarias?), promovendo as Taipas como o centro da cutelaria, aproveitando os conhecimentos acumulados pelo sucesso das iniciativas de algumas empresas, pensando nas marcas e na imagem associadas a um selo de garantia e certificação da região. A economia de custo será muito grande e o impacto ainda maior. Além disso o enquadramento do próprio Programa Operacional da Economia (POE) aponta precisamente nesse sentido. E se os apoios existem… há que aproveitá-los.
Lembremo-nos da Marinha Grande. A associação de empresas que comercializam e promovem o vidro da região é um bom exemplo. E se todos sabem que as alheiras são de Mirandela, que o moscatel é de Favaios, que os sapatos são de Felgueiras e Santa Maria da Feira, que os móveis são de Paços de Ferreira e os bordados da Madeira… que fiquem a saber que o talheres são das Taipas.