Sopram ventos adversos
Quinta-feira, Setembro 5, 2019

Assistimos nos últimos tempos a uma acentuada menorização e ocultação, por parte dos grandes meios de comunicação social (pública e privada), da intervenção, da proposta e da campanha da CDU. A confirmar o que digo atentemos nestes três elementos recentes: a apresentação das medidas urgentes para o País, no passado Domingo; o arranque dos debates televisivos, na Segunda-feira; e o aproximar da abertura da Festa do Avante!.

Jerónimo de Sousa apresentou no Domingo passado o conjunto de medidas urgentes no âmbito do programa eleitoral. Tal como sucedeu com a apresentação do programa e o anúncio posterior de medidas eleitorais por parte do PCP, também as medidas urgentes foram largamente ignoradas. Quem teve a oportunidade de ler ou ouvir as poucas notícias sobre a sessão terá percebido que delas consta o aumento do salário mínimo nacional para 850 euros e pouco mais. E só terá percebido isso (que corresponde apenas a parte de uma das medidas) depois de ter passado por comentários e afirmações de outros. Na iniciativa em que a CDU apresenta um conjunto de medidas, os principais media estiveram mais interessados no que outros disseram.

O primeiro debate televisivo da campanha foi realizado na SIC entre António Costa e Jerónimo de Sousa. Logo após o seu final, os habituais comentadores de serviço ditaram o tom e construíram uma outra narrativa sustentada por uma leitura propositadamente enviesada. Num debate em que cada um dos intervenientes falou apenas 15 minutos – aos comentadores foi-lhes atribuído mais tempo – sempre em resposta a questões colocadas por quem moderava, as críticas recaíram apenas e só sobre Jerónimo de Sousa por não ter colocado mais temas e se ter centrado na legislação laboral ao fixar diferenças relativamente ao PS.

Não fosse a enorme capacidade de influenciar destes comentadores, estas críticas seriam facilmente rebatíveis: os temas foram fixados pela moderadora no tempo limitado do debate, as alterações à legislação laboral foram uma das marcas de convergência do PS com o PSD, o CDS e os patrões, e, porque a sede de criticar a CDU era tal, que os tais comentadores nem repararam que António Costa também não abordou outros temas.

A Festa do Avante! está à porta. É incontestavelmente, a maior realização político- cultural do País. Em ano eleitoral, com as atenções mediáticas viradas para as várias iniciativas dos partidos, pode-se dizer com segurança que não haverá outra que sequer se compare na dimensão, na participação, na diversidade, na alegria, na riqueza que constitui a sua construção e o seu funcionamento, assegurados pelo trabalho militante de muitos, alguns com outras opções políticas.

Apesar de duas conferências de Imprensa, ainda ninguém viu nos noticiários televisivos referências à Festa e ao seu extenso programa. Daqui a uma semana veremos como a cobertura mediática dos três dias da Festa compara com a ampla atenção que mereceram as pequenas iniciativas de outros.