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Sofia Ferreira: “As contas da Turitermas são públicas. É um dos grandes desafios que temos pela frente”
Sábado, Agosto 8, 2020

Filha do primeiro presidente da Taipas Turitermas, Manuel Ferreira, a vereadora Sofia Ferreira assumiu recentemente a liderança desta cooperativa. Dezasseis dias após tomar posse falou abertamente ao Reflexo sobre o passado, o presente e os projetos que tem para o futuro desta “instituição de elevadíssima importância para o concelho”, tendo por isso como objetivo que todos os vimaranenses conheçam os seus equipamentos e valências. Recuperar a importância turística das Taipas é outra das suas missões.

Foi designada presidente da Taipas Turitermas a 6 de Julho. Como surgiu esse convite e em que condições avançou?

Por questões de ordem pessoal e profissional o anterior presidente entendeu aceitar outros desafios e, a partir dessa data, colocou o lugar à disposição. Nesse contexto a câmara designou um novo representante. Foi nesse contexto. Obviamente aceitei com todo o gosto, toda a honra e toda a vontade de trabalhar. Essa decisão foi tomada a 6 de julho, em reunião de câmara, e aqui estou. Tomei posse a 13 de julho, há dezasseis dias, e assumi funções na direção na primeira reunião de direção.

 

Quais os passos que deu nestes primeiros dezasseis dias?

Nestes curtos dias desde logo o primeiro ato foi a reunião de direção, tivemos uma conversa muito interessante, com toda a normalidade, em que dei nota das minhas intenções relativamente à minha presença aqui na Taipas Turitermas. Recebi da parte dos membros da direção a disponibilidade para que se entendesse poder substitui-los na direção, com disponibilidade também para continuarem a fazer o trabalho para o qual estava designados. Entendo que havendo esta disponibilidade e estando todos imbuídos do espírito de trabalhar para o melhor desta casa, não havia motivos para fazer alterações na direção. Entendemos prosseguir o trabalho como uma equipa. Depois, reuni com todos os trabalhadores, porque entendo que qualquer instituição resulta do desempenho e do contributo de cada um dos seus profissionais, esse foi logo o passo seguinte, conversar com todos. Tenho estado agora a conversar de uma forma mais direcionada por áreas, a analisar e fazer o ponto de situação relativamente a cada uma das áreas: ouvir, partilhar ideias dentro das mais diversas áreas de atuação.

 

A sua experiência enquanto vereadora com o pelouro do turismo e até na presidência da Turipenha pode ser uma mais-valia?

Espero bem que sim. De uma forma muito sincera espero ser uma mais-valia para esta instituição. Já o disse e repito. A Taipas Turitermas é uma instituição de elevadíssima importância para o município. É uma honra estar aqui, até por motivos pessoais, e assumo isso com todo o orgulho. Sinto-me legitimada para presidir a Taipas Turitermas, fui eleita, tenho toda a legitimidade para estar aqui como representante do município e procurarei fazer tudo para que sejam defendidos os interesses do município. E ao estar a fazê-lo defenderei também os interesses e o melhor para a Turitermas. Também assumo, a nível pessoal, que é um orgulho estar aqui 35 anos depois de o meu pai ter sido o primeiro presidente desta casa. Assumo que há uma componente de ordem pessoal, em que tudo farei para orgulhar os fundadores desta nobre instituição. Temos aqui o resultado do trabalho de pessoas notáveis, um conjunto de pessoas que muito deram a esta instituição e para que se constituísse esta cooperativa que, naquela data, tinha o objeto social muito concreto de, entre vários objetivos, contribuir para a reabilitação e gestão dos estabelecimentos termais e dos equipamentos turísticos da Vila das Taipas. Objetivo que foi conseguido e hoje temos essa responsabilidade acrescida de honrar quem se esforçou.

 

Já referiu a importância da Turitermas em diversas intervenções. No entanto a Turitermas não teve grande expressão na estratégia de Turismo do concelho. Pode esperar-se uma maior proximidade?

Não diria que não foi muito expressa na estratégia do Turismo. Vivemos um tempo imprevisível, para o qual não estávamos preparados. Quando desenvolvemos a estratégia turística para Guimarães tínhamos uma realidade completamente diferente. Fechámos o ano 2019 como o melhor ano de sempre. Em 2020 caiu, é das atividades económicas que mais sofreu com esta pandemia. Sempre procuramos um maior envolvimento de todos os vimaranenses naquilo que é o seu território, aproveitar esta garra vimaranense, esta paixão, para comunicar Guimarães. É uma mais-valia muito nossa. O que procuramos transmitir é que Guimarães é uma referência em termos de produto cultural, um produto consolidado. Temos de diversificar a nossa oferta turística para sermos mais atrativos e conseguir recuperar mais rápido. Já tínhamos essa noção e diversificar essa oferta turística é comunicar que somos bons e com atrativos noutros segmentos.

Neste enquadramento há um segmento importantíssimo e que só o temos aqui na Vila das Taipas, que é o termalismo e a saúde de bem-estar. Nunca ficou em segundo plano na nossa estratégia de turismo, pelo contrário, temos é mais do que nunca valorizar o que temos que oferecer enquanto produto nesta área. É necessário agregar tudo isto, Taipas é uma vila turística e, portanto, todo o investimento que foi feito neste equipamento, a qualidade dos seus serviços, associada a um parque de campismo, às piscinas, temos um conjunto de valências que tem tudo para funcionar bem; principalmente num momento em que o turismo está a recuperar com procura em áreas associadas a este tipo de destinos. De natureza, de acalmia, temos aqui bem perto a Citânia de Briteiros, e Guimarães ficará sempre mais forte quanto mais consolidados estiverem estes segmentos.

 

De entre as várias valências da cooperativa há alguma que seja prioritária?

Todas merecem atenção. Há algo que gostaria que fosse desenvolvido. A Taipas Turitermas com os seus diferentes equipamentos tem de ser conhecida de todos os vimaranenses. Penso que há aqui este desafio. Por todos os motivos que já referi. Há este trabalho que me parece muito importante de ser realizado. Assumo como desafio dar a conhecer esta casa e as suas potencialidades a todos os vimaranenses, mesmo na comunidade escolar de todo o concelho. Até na área pedagógica, há áreas que me parecem interessantes explorar, numa maior proximidade com as escolas. Isto é um equipamento intergeracional, temos de aproximar a instituição dos vimaranenses, dos jovens, das escolas. Outra coisa que gostaria é que os outros cooperantes participassem de uma forma ativa. A filosofia é essa mesma, que a câmara possa contar com os restantes cooperantes para trabalhar em conjunto. É um desafio que assumo e que me vou dedicar. Há também uma área que ainda não falei, que teve um interregno com esta situação, que é a programação cultural, que é interessantíssima. Há um projeto de qualidade que foi muito bem iniciado, há vontade de todos que tem de ter continuidade, ainda que adequado à nova realidade. Não podemos é parar. É uma missão que me parece essencial.

Neste curto espaço de tempo que tive apreendi também algo muito positivo: temos uma equipa de pessoas muito dedicadas e de pessoas que sentem muito esta casa, o que é muito bom, poder trabalhar com profissionais motivados porque as instituições são o somatório de cada um dos seus membros. Senti isso desde a primeira hora, pessoas motivadas e também expectantes, o que é normal. Há mudança, as pessoas ficam na expectativa para ver o que vai mudar. Nesta instituição como em qualquer outra há questões a resolver, de maior ou menor dificuldade, situações de relacionamento que têm de ser apuradas. Têm é que haver diálogo. Faz parte da vida.

 

Já teve tempo para perceber como está a questão dos produtos de cosmética, lançados em 2013?

De uma forma genérica sim. É uma área muito interessante. Já conversei com os colaboradores que estão nessa área. É uma área com enorme potencial e com uma margem de crescimento muito grande e, por essa via, será um caminho para promover a instituição e o território. É uma área que gostaria muito que fosse consolidada em termos de venda, promoção e marketing. Temos de trabalhar de forma concertada com outras instituições e com todos os parceiros. Quando falava de aproximar e de comunicar a instituição à comunidade vimaranense é importante sermos mais agressivos, no bom sentido, na divulgação dos nossos serviços no mercado nacional. As Termas das Taipas são muito conhecidas, mas teve um período em que esteve desativada. Pelo investimento feito temos condições para dar seguimento a este caminho. Temos potencial e capacidade para ser competitivos.

 

O polidesportivo foi intervencionado recentemente, ficando sempre patente a dúvida em relação ao custo/benefícios das pessoas. Pensou-se manter o parque de campismo aberto todo o ano com o apoio do polidesportivo. Que visão tem destes dois equipamentos?

O ideal seria ter os parques de campismo sempre abertos. É também uma questão que se coloca no outro parque de campismo de Guimarães, na Penha. Será uma mais-valia para Guimarães, mas para isso temos de ter condições de os adaptar. É uma meta que se pretende atingir, mas há um trabalho faseado a fazer, que tem de ser bem planeado. O polidesportivo é um equipamento de excelente qualidade. Podemos melhorar sempre tudo na nossa vida, obviamente, naquilo que pudermos fazer para melhorar e para o tornar mais usufruído pela população de todo o concelho, porque está numa zona fantástica do parque, com um enquadramento único, tudo faremos. Temos de dar tempo para que seja possível atingir todos estes objetivos.

 

Estando a maior parte dos equipamentos da vila sob a tutela da Turitermas, é necessária também uma proximidade com a junta de freguesia, para que se agreguem sinergias?

É sempre necessária proximidade com os agentes locais, regionais ou nacionais. É inquestionável que a articulação com a junta de freguesia tem de ser sempre de proximidade para que o bem da população seja satisfeito. É inquestionável.

Como encontrou a Clínica Médica de Saúde?

Estou a encontrar uma clínica médica que presta bons serviços, de qualidade. Já tive oportunidade de reunir com o diretor clínico dessa área, a equipa está motivada, o que temos vindo a assistir, de 2015 até hoje, é que a credibilidade tem vindo a aumentar. Entendo que é uma área que tem potencial para continuar com os patamares de qualidade que oferece e ainda melhorar.

 

Não há, então, um desinvestimento nessa área?

Não entendo que haja desinvestimento. Vivemos este último meio ano que não é fácil de caracterizar e que também neste setor teve repercussões muito graves. Aquilo que me é dado a conhecer é que este novo contexto coloca novos desafios de conseguir ajustar a oferta de serviços a esta realidade, com planos de contingência que venham a ocorrer. Temos condições para encarar os desafios e continuar a pautar o trabalho desta casa pela qualidade, eficiência e eficácia.

 

Já se inteirou do estado financeiro em que se encontra a cooperativa?  

A nível financeiro as contas da turitermas são de conhecimento público. É um dos grandes desafios que temos pela frente. A questão financeira da instituição é pública, há constrangimentos que todos conhecem, que decorrem de situações anteriores e que, obviamente, tudo farei para honrar os compromissos da instituição. Assumi a direção nesta situação e espero um dia, quando sair desta casa, deixar essa parte mais tranquila.

 

A pandemia teve também um forte impacto a este nível?

Completamente. Teve um impacto negativo em todas as áreas, e nesta claro que também. A Turitermas é uma das empresas municipais que aderiu ao lay-off, portanto, a situação já não era fácil, e ficou agravada. Teremos de ver e analisar, assim como outras que merecem uma atenção especial. Obviamente o município está cá para assumir aquelas que são as suas responsabilidades.

 

Há quem defenda a passagem da Turitermas para privados. Acha que é possível?

Tudo é possível. Mas entendo que a Taipas Turitermas foi criada em 1985 com um objetivo muito específico e entendo que à data de hoje continuam reunidas condições para manter a Taipas Turitermas como uma regi-cooperativa. Esta situação deverá manter-se sempre neste contexto, num modelo em que o município seja o seu principal cooperante, preside à direção e faz a gestão dos equipamentos. Isto é património dos vimaranenses.

 

Seria possível a Taipas Turitermas manter a estabilidade sem o contrato-programa com a Câmara Municipal de Guimarães?

As coisas não se podem colocar nesse nível. O contrato programa com a Câmara Municipal de Guimarães, à semelhança das outras cooperativas, é feito para determinado fim. Portanto, não podemos estar a misturar as áreas. Para aquilo que são as atividades que constam do contrato-programa terão de continuar, e muito bem. Para isso é que são celebrados. Se, por ventura, tivermos de diversificar a criar mais atividades que sejam para o bem do serviço à população ou social que a cooperativa presta, poder-se-á alargar o contrato programa.

 

Tem falado com o seu pai sobre isto? Tem dado conselhos?

Falamos de tudo. Ele é cooperante. Espero que enquanto cooperante, e lanço-lhe esse desafio, assuma de uma forma mais ativa a sua responsabilidade na instituição, que participe nas assembleias-gerais e noutras atividades. Este ano comemora-se 35 anos da Taipas Turitermas, ia assinalar-se a data mas teve de ser suspenso por causa desta situação. Não vamos deixar passar a data. O meu pai dá-me sempre bons conselhos em tudo na vida, é um apaixonado por esta casa e por esta vila. Portanto, cá estou e tudo farei para que funcione bem, tendo a consciência de que esta é uma missão complexa. Tenho perfeita noção de que não é fácil e que tenho desafios pela frente. Estou com vontade de trabalhar e estou confiante na equipa que temos, pessoas que sentem a casa.