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Sobre o vírus ébola
Sexta-feira, Setembro 12, 2014

O possível reservatório natural deste vírus é o morcego da fruta. Ao contrário dos outros morcegos que se deslocam pela emissão e receção do eco, o morcego da fruta, também conhecido por raposa voadora, tem 2 grandes olhos e, como o nome indica, alimenta-se de fruta, perfurando-a, acabando por a estragar. Por isso é afugentado pelas pessoas, quando o vêm perto dos seus quintais. O pior é quando os gatos aparecem com algum na boca, sendo alvo de contaminação…

Outros animais, acidentalmente infetados, podem propagar o vírus como chimpanzés, gorilas, macacos e antílopes. São caçados ou encontrados na selva, pela população local, doentes ou mortos e o seu manuseio ou contato com sangue, secreções, órgãos ou outros fluídos corporais, leva que estas pessoas sejam infetadas.

Depois a transmissão, na comunidade, é de pessoa a pessoa, quer por contato direto (através de feridas existentes na pele, secreções, sangue e outros fluídos corporais como saliva, urina, sémem) ou indirecto, pela contaminação do ambiente com tais fluídos. Até nos funerais, através do contato direto com o corpo do falecido, pode ocorrer transmissão do vírus à família enlutada.

O mesmo tem acontecido ao pessoal de saúde, que lida com estes doentes, quando os procedimentos não são seguidos à risca. A televisão tem feito eco de alguns destes profissionais, que lutavam contra o Ébola em África e chegam aos seus países de origem para aí serem tratados. Infelizmente, de 240 profissionais atingidos, 130 já faleceram, o que é um dado alarmante e, nesta luta, o vírus leva vantagem. Imagine agora o leitor: se isto se passa com estas pessoas que dispõem de conhecimentos e meios (?) para lidar com estes doentes o que não acontecerá com todos os outros que não têm uma coisa nem outra?

Estamos, então, perante um vírus extremamente contagioso e pior, com uma taxa de mortalidade de cerca de 50%, isto é, morre um em cada dois doentes infetados. Atualmente o contágio pessoa a pessoa está na base da dessiminação da doença.

A sintomatologia compreende o aparecimento súbito de febre, intensa falta de força, dores musculares, dores de cabeça e dor de garganta. Logo de seguida aparecem os vómitos, diarreia, manchas avermelhadas na pele, hemorragias internas e externas (quando apareceu, em 1976, chamava-se febre homorrágica) e atingimento do fígado e rim.

O período de incubação, isto é, o tempo desde o contato com o vírus até ao aparecimento dos sintomas vai de 2 a 21 dias. As pessoas transmitem o vírus enquanto este permanecer no sangue ou noutras secreções. Em homens que sobreviveram, ainda lhes foi detetado o vírus no sémem dois meses depois do início da doença. Isto é, ainda podiam transmitir o vírus e infetar outra pessoa, após aquele tempo todo!

Ainda não existe vacina e o tratamento é de suporte, isto é, apenas se tratam os sintomas (febre, vómitos, diarreia), não a causa. Como é uma doença provocada por vírus, como é a constipação ou a gripe, os antibióticos não são para aqui chamados, pois só atuam sobre as bactérias.
Atualmente o vírus mantém-se por África (Serra Leoa, Libéria, Nigéria e Guiné).

Estamos longe, podemos estar sossegados? Nem por isso. As viagens aéreas continuam e há portugueses em todo o lado, nomeadamente em África, um continente nosso velho conhecido. Cautela e caldos de galinha…

Bibliografia: Organização Mundial da Saúde.

Carlos Salazar – Médico