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Sobre os Celtas
Quinta-feira, Janeiro 16, 2020
Gravura de suástica na Laje dos Sinais (Monte da Saia, Barcelos), atribuída à Idade do Ferro. Fotografia da SMS.

Sendo o ponto alto do “elenco” em muitos livros de História, e mesmo (ainda) em muitos manuais escolares; parte da linguagem comum quando se fala na Antiguidade, por vezes quando se fala em castros; referência identitária de várias regiões e nações da Europa, bem como de clubes de futebol, em que se incluem os “Celtas”, desde o de Vigo, ao de Glasgow… Já está na hora de aqui falarmos nos Celtas e de demonstrar porque é que, por regra, deles não falamos.

Como sabemos, a investigação sobre o passado sempre recorreu a conceitos criados para sistematizar dados e facilitar a leitura de determinados períodos históricos. É por isso que hoje falamos em Neolítico, Idade do Ferro, Alto Império, Idade Média, designações que não se utilizavam nessas épocas: um habitante de um castro não dizia para consigo “vivo na Idade do Ferro”. São apenas ferramentas de investigação e de pesquisa. O mesmo acontece quando usamos a expressão “culturas”, que vários académicos hoje preferem não utilizar, para não incorrerem no risco da generalização imprecisa. Fala-se na Cultura Nurágica, na “civilização” Tartéssica, na Cultura de El Argar, na Cultura Castreja… sem que as pessoas que viveram nesses períodos usassem, ou sequer conhecessem, essas designações.

A utilização de nomes que já existiam na Antiguidade (Gauleses, Germanos, Celtas, Púnicos) não fundamenta necessariamente a sua utilização, nos dias de hoje, para classificar sítios ou materiais arqueológicos. Quando se trata de uma designação geográfica, como é o caso da Gália, não será incorreto falar num povoado gaulês… Já quando o nome não tem uma conotação geográfica, mas estritamente étnica, entramos em terreno pantanoso.

O nome Celta é de facto antigo, embora a sua origem seja controversa. Consta que Hecateu de Mileto é a fonte escrita mais antiga, que se conheça, a falar em Celtas (em grego, Keltoi), no século VI a. C., para falar de umas tribos que habitariam entra as atuais Renânia e Provença. A partir daqui, o nome espalhou-se, por assim dizer, tendo sido utilizado para descrever diferentes povos, habitando em diferentes regiões. Espalhou-se tanto como alegadamente se terão espalhado os Celtas um pouco por todo o lado, como continuaremos a expor no próximo mês.