Singularidade da Montanha da Penha fundamenta classificação como Paisagem Protegida Local
Singularidade da Montanha da Penha fundamenta classificação como Paisagem Protegida Local
Quinta-feira, Outubro 31, 2019

Estando a decorrer o processo de classificação da montanha da Penha, no sentido da sua integração na Rede Nacional de Áreas Protegidas, foram apresentados os primeiros dados de caracterização da paisagem.

No plano de intenções, a ideia de classificação do alto da Penha como paisagem protegida foi lançada pelo presidente da Câmara Municipal de Guimarães em abril de 2017. Nessa altura, Domingos Bragança manifestava a sua vontade de ver classificados 120 hectares, que incluíam uma rota de biodiversidade e deveriam proteger “a mancha florestal desde a Montanha da Penha até ao Parque da Cidade”.

Os principais resultados do levantamento de campo nesta paisagem e que deverão fundamentar o processo de classificaçãoda Montanha da Penha como Paisagem Protegida Local foram apresentados na reunião do executivo municipal de quinta-feira, 31 de outubro. O trabalho de levantamento foi efetuado pela empresa Floradata, juntamente com técnicos da autarquia e em colaboração com a Irmandade da Penha.

Ao documento de caracterização apresentado deverá juntar-se um regulamento e um plano de ação, elementos que serão levados a discussão pública e posteriormente submetidos ao Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) para, finalmente, ser feita a classificação na rede nacional de áreas protegidas.

Esta candidatura terá como enquadramento a Estratégia Nacional de Conservação de Natureza e da Biodiversidade e uma nova candidatura a Capital Verde Europeia, que o presidente da Câmara Municipal já assumiu que deverá ser feita. A área estudada abrange 353,5 ha, estendendo-se pelas freguesias da Costa, Abação, Gémeos e Mesão Frio.

Foram três os domínios de análise definidos pelos técnicos que fizeram o levantamento de dados no território. Esses domínios avaliam os valores naturais da fauna, da flora e também do património geológico e geomorfológico. Sendo uma área que foi tendo várias transformações, foi feita uma avaliação da integração das atividades humanas no contexto da caracterização da paisagem.

No que respeita ao primeiro domínio, os técnicos efetuaram um inventário de espécies incluídas numa dezena de habitats. David Fernandes, da equipa da Floradata, destacou os habitats associados aos ouriçais e outros em linhas de água. Foram inventariadas 321 espécies vegetais, duas delas classificadas na Diretiva Habitats e cinco que estão em perigo de extinção.

No domínio da fauna identificaram-se 123 espécies, das quais 77 foram confirmadas visualmente. Espécies notívagas, como os morcegos, foram localizados através dos sons que produzem. David Fernandes entende que a área em análise tem um “excelente repositório da fauna existente em Portugal”, na medida em que 33% das espécies estão presentes na Penha.