A síndrome de Estocolmo e os vimaranenses
Quinta-feira, Maio 31, 2018

A Câmara Municipal de Guimarães (CMG) e a Junta de Freguesia de Caldelas (JFC) convidaram todos os taipenses para a inauguração, amanhã, das obras de requalificação das ruas da Faísca, Charneca e Bento Ribeiro Salgado Barreto. Será uma festa, com toda a pompa e circunstância a que a CMG já nos habituou e, no meio da festa, talvez o povo se esqueça da tortura que foi percorrer estas estradas durante anos.

Em 2007 a JFC e a CMG chegaram a acordo para o arranjo da rua da Faísca. A junta assumiu a construção dos passeios pedestres e a CMG faria a rede de águas pluviais e novo piso. A junta de freguesia cumpriu a sua parte e os passeios foram construídos, 11 anos depois vem a CMG inaugurar o que devia ter feito há 10 anos. Com a agravante de ter construído agora novos passeios, mostrando assim o respeito que tem pelo dinheiro dos contribuintes.

O estado de degradação a que chegaram estas estradas deveria envergonhar qualquer político. Foram demasiados anos a arrastar uma requalificação que era urgente, e que afetava directamente a qualidade de vida de muitas pessoas. Foram vários os acidentes de viação causados pelo mau estado da via, os danos patrimoniais, os sustos para os peões que passaram muito invernos a levar autênticos banhos com a água que chapinhava dos buracos à passagem dos automóveis. Fizeram-se abaixo assinados, reclamações e mais reclamações, pediram-se indemnizações. Da CMG sempre a mesma resposta: inércia.

A 30 de dezembro de 2016, a CMG anuncia finalmente o concurso para a requalificação destas vias. Dizia que seria durante o ano de 2017 e a obra teria um prazo máximo de 240 dias. Claro que o facto de 2017 ser ano de eleições não será coincidência. Mas o calculismo da CMG vai ainda mais longe, e as obras que deveriam começar e ficar prontas em 2017, não se iniciaram nas Taipas, com medo de isso ser capitalizado pela Junta de Freguesia de então e que era de outra cor política. Uma vez mais, sequestraram os direitos dos cidadãos por razões meramente eleitoralistas. Ora, quem já esperou 10 anos, pode muito bem esperar mais uns meses, pensaram eles.

A síndrome de Estocolmo é a definição dada a um estado psicológico em que uma pessoa, passa a ter simpatia pelo o seu agressor. Este conceito surgiu pela primeira vez após um assalto na capital sueca, onde após seis dias de sequestro as vítimas passaram a defender os seus sequestradores.

É assim também a relação de alguns eleitores com os políticos no nosso concelho. A CMG começa por prometer cumprir o que é sua obrigação, agarra as pessoas pela promessa, depois arrasta essa promessa durante anos e anos, rendendo assim várias eleições. Quando, ao fim de muitos anos, a obrigação é cumprida, porque já não há mais por onde adiar, os eleitores sentem-se agradecidos, como se lhes tivesse sido feito um favor. Esquecem-se que, nestes 10 anos de atraso, os impostos pagos pelo taipenses à CMG daria para pagar esta obra 100 vezes.

A relação entre o eleitor/cidadão e os políticos é desequilibrada, muito por culpa dos cidadãos que se deixam encantar pelo seu “sequestrador” e permitem que os seus direitos sejam utilizados como moeda de troca eleitoralista. Amanhã não se celebra a chegada do asfalto às ruas da Faísca, Charneca e Bento Ribeiro Salgado Barreto, mas o exercer de um poder absoluto de políticos pouco conscienciosos sobre um povo enlevado. Amanhã não é dia de aplausos, mas de apupos.