Shortcutz Guimarães: o estimulante desafio de mostrar o que se faz de novo no cinema nacional
Shortcutz Guimarães: o estimulante desafio de mostrar o que se faz de novo no cinema nacional
Quinta-feira, Dezembro 14, 2017

É já no próximo dia 20 que acontece a entrega de prémio do Shortcutz Guimarães, com hora marcada para as 22h00, na sede do Cineclube de Guimarães. As obras a concurso aumentaram exponencialmente: na primeira edição (2016) contaram com 30 filmes e este ano participaram cerca de 300 películas.

Samuel Silva, da organização, explica que se trata de um “micro festival e uma plataforma de divulgação” de cinema, centrando-se “no formato de curta metragem”. “Parece-nos artisticamente estimulante e é aquele em que os novos valores do cinema se começam a mostrar. E é isso que mais nos interessa: mostrar o novíssimo cinema que se faz em Portugal”, explica ao Reflexo.

Além da exibição de curtas, durante 2017, o Shortcutz Guimarães teve a sua primeira experiência num projecto educativo com um workshop sobre primeiras imagens. Foram seleccionadas curtas de animação para o público infantil e uma pequena demonstração de criação de fotogramas no laboratório de fotografia analógica do Cineclube.

O Shortcutz Guimarães é mais do que a simples mostra de filmes: em todas as sessões são convidados realizadores ou outros elementos das equipas criativas dos filmes apresentados que conversam com o público. “A nossa ideia é que não se constrói cinefilia apenas mostrando filmes, mas também falando sobre eles e conhecendo quem e como os faz”, reforça o responsável.

Samuel Silva frisa ainda a apresentação de uma programação paritária: Metade dos convidados eram homens; metade mulheres, num trabalho de visibilização da diversidade da produção cinematográfica nacional. Realce ainda para a aposta na exibição de filmes feitos para a Capital da Cultura de 2012, como Torres e Cometas ou Ao Lobo da Madragoa (exibido em película de 35 milímetros), “que é um património da maior relevância que Guimarães tem e não tem sido capaz de aproveitar”, pontua.

Resultado da competição nacional divulgado na próxima quarta-feira

A competição do Shortcutz Guimarães é exclusivamente nacional. Apesar de passar alguns filmes internacionais como convidados – é esse o programa para a sessão da próxima quarta-feira, 20, que contará com uma selecção de filmes de outras cidades estrangeiras que pertencem à rede Shortcutz.

Na avaliação deste projeto, Samuel Silva dá conta do “crescimento brutal” do número de participantes no concurso: “No primeiro ano recebemos cerca de 30 filmes. No segundo mais de 300. Creio que isso tem a ver primeiro que tudo com o facto de sermos o único festival do topo que dá um prémio em dinheiro. São 500 euros, fruto do investimento do Cineclube de Guimarães neste projeto, que desde a primeira hora apoiou a ideia, e da Câmara, que apoia através do RMECARH.

Além disso, refere, “o próprio conceito ficou mais conhecido nacionalmente e fizemos um grande esforço de comunicação em plataformas especializadas e também em contactos pessoais”. “Visitámos vários cursos de cinema e audiovisuais cativando os alunos a apresentarem as suas obras e recebemos muitos filmes de universidades”, salienta.

O Shortcutz Guimarães tenta ir além da sede de concelho com sessões descentralizadas nas Taipas, que se realizam no verão. Este ano o número de espectadores também cresceu, com cerca de 50 pessoas a ver curtas metragens, ficando a promessa de ir a mais freguesias durante o próximo ano.