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Será necessária uma formatação?
Quarta-feira, Outubro 12, 2016

Acham que a escola atual tem hipótese de despertar nos alunos e restante comunidade valores e princípios que conduzam ao civismo e à participação numa sociedade democrática, nomeadamente quando as áreas curriculares não disciplinares, onde isso ocorreu durante um tempo, foram abolidas por razões económicas? Eram áreas transversais ao currículo (Formação Cívica, Área de Projeto, Estudo Acompanhado), mas tinham o seu papel, pois transmitiam valores (FC, nomeadamente), estimulavam o espírito criativo, empreendedor e crítico, bem como o trabalho colaborativo (AP, principalmente) e forneciam algumas ferramentas e colmatavam algumas dificuldades tanto cognitivas como afetivas (EA e FC). Hoje existe apenas a Oferta Complementar, uma disciplina de 45 minutos por semana , onde se espera que se desenvolvam todos os projetos que a escola realiza- todas as “educações”, como digo: sexual, para a saúde, alimentar, ecológica, promotora da paz e segurança, financeira…

Noutros tempos. Havia a formatação única do Estado (Deus, Pátria e Família) e da Igreja. Ainda não havia a moda de ser “ateu”; éramos todos católicos, inclusive o país com o catolicismo como religião oficial. Hoje, sendo o estado laico, as escolas continuam o oferecer a Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC),embora sem o cariz de obrigatoriedade e podendo cada escola oferecer outras religiões, caso existam alunos e professores para as lecionar.

Agora não há formatação compatível com esta geração. E seria ela desejável, seria possível?

O EU comanda e as redes sociais imperam promovendo uma troca de informações e de dados verdadeiros e falsos a uma velocidade ultrassónica. Como se não bastasse o Bullying (que sempre existiu nas escolas, nas associações, nos empregos, em todo o lado… para quê tapar o sol com a peneira?), temos agora o cyberbullying que grassa nas redes sociais e destrói vidas. E, inconscientemente, são as vítimas (jovens e não só!!) que vão fornecendo a matéria a toda a espécie de malfeitores que procuram o “alheio” e se alimentam do mal que possam provocar desde o roubo de identidade à falsificação de perfis, passando pelos assaltos, pelos assassinatos “encomendados”, pelo tráfico de drogas, de menores, de mulheres…

A ficção saltou do ecrã e tomou de assalto a vida real, impondo-se de tal modo que, ultimamente, tanto jovens como “adultos” andavam à caça de POKEMONS. Não consigo perceber.

E, fazendo jus ao que um aluno me disse “Madame est d’autre époque”, podem ter a certeza de que sou. A minha privacidade nunca será do domínio público digital, por muito que me digam que as páginas podem ser “privadas”. Não é isso que me diz a informática e os avanços tecnológicos.

Sejam digitais q.b., com juízo para não haver arrependimentos!

Professora