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Sempre presentes?
Segunda-feira, Agosto 14, 2017

Construir um projeto político é um exercício complexo. Envolve muitas dimensões, imensas variáveis. É necessário conhecer a realidade, escolher as prioridades, é necessário construir o programa político, é necessário envolver as pessoas, ouvir a população, alargar a base de apoio, é importante escolher a equipa certa e é fundamental ter o líder certo. Pode não ser necessariamente por esta ordem, mas todos os projetos políticos devem passar por estas fases.

A fase seguinte é da escolha democrática, de convencer os nossos concidadãos das propostas e das ideias, de trazer todos para o nosso projeto e de mostrar a capacidade que a equipa e o líder têm para transformar o programa em realidade.

A campanha eleitoral deve ser isso. Por vezes, e mal, redunda num exercício de maledicência e de ataque pessoal, pouco abonatório para os intervenientes. Mas, quando feita com elevação serve sobretudo para mostrar e esclarecer ao que vamos e o que queremos fazer para que todos nós possamos optar e escolher em consciência. É neste contexto que surgem os cartazes, os slogans e as músicas de campanha – a mensagem.

Não considero estes elementos os essenciais, já o disse diversas vezes e repito, essencial são as propostas e a capacidade de as levar à prática. Mas não posso ignorar que, na maior parte das vezes, os cartazes e os slogans são reveladores de algo maior e do caminho que levou as candidaturas à escolha dessas mensagens.

E é aqui que eu considero importante olhar e analisar um cartaz que Manuel Ribeiro, candidato à Junta de Freguesia, escolheu para a sua campanha. Nesse cartaz Manuel Ribeiro aparece ladeado de Constantino Veiga sob o slogan “Sempre Presentes”. Pois bem, o que isto quer dizer?

Em minha opinião significa de forma clara que Manuel Ribeiro (não é novidade nenhuma também) se assume como um candidato de continuidade. Mas devemos perguntar que continuidade. Continuidade de 12 anos de PSD na Junta de Freguesia. E o que foram esses 12 anos para as Taipas? Que legado é esse que querem continuar?

Eu recordo: Foram 12 anos de conflito assumido. Conflito com a Câmara Municipal, conflito com as instituições da vila e com os taipenses. Não foi Constantino Veiga que disse que não precisava da Câmara Municipal para nada?; Foram 12 anos de promessas falhadas. 12 anos de desculpas e de projetos adiados. Onde está o Lar de Idosos na Pensão Vilas que foi prometido campanha eleitoral após campanha eleitoral?; Foram 12 anos de estagnação e de paralisia. Lembram-se de alguma obra estruturante para as Taipas da responsabilidade da Junta de Freguesia nos últimos 12 anos?; Foram 12 anos em que a vila não cresceu, não evoluiu e não se cumpriu.

É isto que Manuel Ribeiro se propõe a continuar: 12 anos de nada. 12 anos de potencial quebrado. 12 anos de oportunidades perdidas.

Precisamos de uma mudança!

Mas porventura, e ainda mais pernicioso que tudo isto, a escolha deste cartaz revela ainda outra verdade. Uma verdade que já tinha sido anunciada pelo atual Presidente de Junta mas que agora está à vista de todos. Manuel Ribeiro é um candidato à Junta por procuração.

Mas afinal quem manda? Constantino Veiga ou Manuel Ribeiro? É inquietante para todos os Taipenses. Afinal quem é o candidato? Mais, o que leva alguém a querer perpetuar-se no poder quando sabe que a lei de limitação de mandatos o impede? O que revela do carater de alguém aceitar ser candidato por interposta pessoa?

Caldas das Taipas é demasiado sério para este tipo de jogos de poder. Os taipenses merecem mais que jogos de bastidores.

Merecemos um projeto político que envolva todos, que chame todos os taipenses, que nos una e nos torne mais fortes. Precisamos de causas mobilizadoras, precisamos de estar ao lado das nossas instituições e associações, precisamos de uma visão para o futuro, precisamos de quem nos represente e lute por nós. Não queremos mais promessas falhadas, não queremos mais desculpas nem mais sonhos adiados, queremos voltar a sentir orgulho na nossa terra.

É para mim claro que as Taipas precisa urgentemente de um líder e de uma mudança. E nem uma nem outra passam por Manuel Ribeiro.