Sabroso: o renascer de um monumento milenar
Quinta-feira, Abril 13, 2017

Ilid Anthony, diretora do Verulamium Museum (St Albans, Inglaterra), junto à muralha nascente de Sabroso, em Abril de 1958. Arquivo da SMS.

Já anteriormente, em Dezembro de 2015, tivemos oportunidade de aqui escrever sobre o Castro de Sabroso, em São Lourenço de Sande, assinalando os trabalhos de limpeza e escavação que foram promovidos nesse ano. Desde Novembro passado, através de uma notável e exemplar iniciativa da Junta da União de Freguesias de Sande S. Lourenço e Balazar, com o acompanhamento científico da Sociedade Martins Sarmento (SMS), foram retomados os trabalhos de desmatação dos terrenos onde se implanta este singular sítio arqueológico, estando atualmente limpa de vegetação a quase totalidade da área do castro.

Sabroso é um monumento épico. Eterno “irmão” da Citânia de Briteiros, e classificado como Monumento Nacional igualmente desde 1910, o impressivo povoado fortificado da Idade do Ferro atraiu incomparavelmente as atenções de Francisco Martins Sarmento. Sabroso estimulou a inspiração histórica do nosso primeiro arqueólogo, ao observar a sua enorme muralha, praticamente soterrada até 1877, e vendo nela os ricos paramentos dos muros de Micenas, que observara na histórica obra de Georges Perrot e Charles Chipiez, “Histoire de l’Art dans l’Antiquité” (Paris, 1894).

Mas também ao longo do século XX, o Castro de Sabroso foi alvo do cuidado, atenção e interesse de instituições e investigadores, muito além da instituição proprietária, o Município de Guimarães, e a centenária SMS, a cujo cuidado o monumento foi entregue em 1921, e desde há anos procura soluções de recuperação deste espaço. A Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, a Junta Nacional da Educação, a Universidade de Coimbra, a Universidade de Oxford, o Verulamium Museum de St Albans, a Faculdade de Letras da Universidade do Porto, foram instituições que ao longo de décadas se interessaram pelo Castro de Sabroso, tornando-o um monumento amplamente citado na bibliografia académica portuguesa e estrangeira.

É aterrador pensar como um sítio desta natureza pôde ter ficado “esquecido” durante tantos anos, num Concelho que tem dado várias lições, a nível nacional e internacional, de como preservar o seu Património Histórico. Porém, num período de aparente esquecimento, a SMS manteve uma monitorização próxima do estado de conservação, que possibilitou a realização de um projeto de reabilitação integral de Sabroso, em 2013, e que aguarda ainda a boa vontade de uma instituição financiadora.

Face a este estado de coisas, foi com particular regozijo que ouvimos a apresentação do Programa Intermunicipal de Salvaguarda da Paisagem dos Sacro Montes, realizada no passado mês de Janeiro pelas câmaras municipais de Guimarães e de Braga, prevendo a reabilitação da envolvente de vários monumentos, entre os quais o Castro de Sabroso.

Por estes dias, quase no final de um trabalho de desmatação que não se fazia há décadas, surge à vista o estado de conservação das milenares estruturas arqueológicas, que já conhecíamos, mas que a densa vegetação ocultava. Falta a parte mais difícil, que é a intervenção de conservação dos vestígios do povoado fortificado, bem como a prevenção do crescimento de mais acácias invasoras, que agora apenas terão perdido uma batalha…

Este importante monumento será apresentado ao público, como se encontra, no próximo dia 22 de Abril, pelas 16 horas, no local, assinalando o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios e explicando de que forma é imperativo atuar em Sabroso.