Ruído nocturno no Centro Histórico de Guimarães
Sexta-feira, Julho 14, 2017

Todos aqueles que passam de manhã cedo pelas ruas do Centro Histórico de Guimarães encontram-nas devidamente limpas e asseadas, sem o cheiro a cerveja ressequida característico em outros locais com actividade nocturna idêntica. Esta limpeza, que nos orgulha enquanto vimaranenses, é admirada por quem nos visita, é executada pela Empresa Municipal Vitrus, que tem delegadas, para além do aparcamento, esta responsabilidade sanitária municipal.

Salvo raras excepções, as ruas de Guimarães onde a animação nocturna é mais intensa, são limpas e lavadas todos os dias ao inicio da manhã, e é justo registar como positivo o facto da Vitrus ter a preocupação de, para não prejudicar sempre os mesmos moradores com o barulho, alternar os locais do inicio da intervenção de limpeza. Quero com isto dizer que se hoje a limpeza se iniciar no Largo da Oliveira, amanhã começará por outro local.

Para desempenhar esta tarefa são utilizadas ferramentas mecânicas que lhes permitem com menor esforço e em menos tempo executar esta rotina diária. No entanto a contrapor a eficiência e agilidade destes equipamentos há dois inconvenientes a saber: o combustível fóssil utilizado e o ruido que o seu funcionamento provoca, agravado pelo facto de ser executado em horas em que impera, ou deveria imperar o silêncio.

O aumento de festas e acontecimentos dentro do Centro Histórico intensifica a necessidade de intervenção das equipas responsáveis pela sua higiene e limpeza. Sabendo nós que estas festas, Feira Medieval e Noite Branca p.ex., se prolongam pela noite dentro, não é admissível que a limpeza que é feita de madrugada, (seis horas da manhã) utilize tão ruidosas ferramentas. É urgente encontrar alternativas menos ruidosas e menos poluentes para os equipamentos utilizados pelas equipas de limpeza do Centro Histórico.

Como já referi anteriormente neste espaço digital onde tenho o privilégio de expor mensalmente a minha opinião, um dos factores, para além de outros, que contribuiu para que o Centro Histórico de Guimarães fosse classificado pela UNESCO, em 2001, Património Cultural da Humanidade, foi a particularidade de ser um território intramuros com uma densidade habitacional bastante significativa, contrariando outros exemplos, nacionais e internacionais, onde a desertificação é uma evidência.

Disse também que é muito difícil conciliar a vontade e as necessidades de quem o habita, com as características que sabemos, com a vontade de quem nele procura o convívio e a diversão.

O Centro Histórico de Guimarães é um espaço com vida, porque para além dos turistas que o visitam, e são cada vez mais, tem gente que nele habita, trabalha e convive.

Para isso temos a obrigação de procurar soluções mais suaves e silenciosas que permitam obter o resultado pretendido na sua limpeza, se quisermos, e penso que todos querem, que o centro histórico tenha condições e qualidade de vida para manter e aumentar os seus habitantes.

Torcato Ribeiro escreve de acordo com o antigo acordo ortográfico.