Renovação de gerações marca sessão solene evocativa do 25 de Abril
Renovação de gerações marca sessão solene evocativa do 25 de Abril
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Quinta-feira, Abril 26, 2018

Realizou-se esta quarta-feira a sessão solene evocativa do 25 de Abril da Assembleia Municipal, na Plataforma das Artes. Destaque para o facto de as intervenções terem sido feitas, na sua maioria, por deputados municipais nascidos depois de 1974.

Discursaram três mulheres – Sónia Ribeiro, do Bloco de Esquerda, Mariana Silva, da CDU, e Ângela Oliveira, do CDS-PP – e quatro homens – António Meireles, do PPM, Tiago Laranjeiro, do PSD, Paulo Lopes Silva, do PS e o presidente da Assembleia Municipal, José João Torrinha.

António Meireles, deputado municipal do PPM (que integra a Coligação Juntos por Guimarães), 55 anos, foi o único interveniente que viu a revolução acontecer. Usou da palavra para apelar a uma revisão da Constituição: “Desde Guimarães, do berço da Nação, em nome da nossa insigne história, apelo ao Exmo. Sr. Presidente da República e aos líderes dos diversos partidos que defendem a Liberdade que viabilizem uma nova revisão da constituição sem espartilhos ideológicos, sem restrições quanto ao regime democrático nem paternalismo sobre o futuro de Portugal, afinal, esta é a razão última pela qual o PPM se tem batido neste quase meio século”.

Já Sónia Ribeiro, deputada municipal eleita pelo Bloco de Esquerda, 42 anos, destacou a urgência de “lutar contra o neoliberalismo, contra a pobreza e desigualdade, que alguns setores políticos, e não só, continuam a insistir ser o caminho”. “Os juros da dívida pública, os milhares de milhão entregues à banca privada, as más escolhas políticas, empurram o país para um rumo que não é o que queremos”, vincando assim o discurso do Bloco a nível nacional.

Mariana Silva, deputada municipal eleita pela CDU, 35 anos, preferiu o soundbite “Isto vai, meus amigos, isto vai…”, para intensificar o sentido do discurso: “haverá sempre alguém que acredita que não existem derrotas eternas e que nem tudo esteve ou está perdido para sempre. Hoje, mais do que nunca, é necessário continuar a dizer que também não há vitórias garantidas para sempre. E é por isso que continuamos na luta e afirmamos, 44 anos depois de Abril”.

Ângela Oliveira, deputada municipal eleita pelo CDS-PP, 40 anos, colocou a tónica da sua intervenção na mudança que o 25 de Abril significou para as mulheres: “Celebrar Abril é pois, também, prestar homenagem a todas as mulheres que numa revolução com protagonistas masculinos sacrificaram carreira, vida pessoal e até a própria liberdade para que Portugal fosse um país livre e democrático. É invocar ainda aquelas, que com coragem e determinação, continuam essa luta, nos partidos políticos, nas associações, nas instituições, na sociedade civil, com sentido cívico mas acima de tudo como portuguesas de primeira”.

Tiago Laranjeiro, deputado municipal eleito pelo PSD, o mais jovem do grupo, 30 anos, focou os “Cinco conceitos, interligados, essenciais à democracia”, nomeando “Palavra. Opinião. Escuta. Inclusão. Ação.”. “Cinco conceitos herdeiros da liberdade e da revolução. Cinco preocupações que todos devemos pôr em prática. Mais do que em palavras, em atos. Para construirmos uma melhor democracia. Para honrarmos o legado da liberdade. Fica o apelo aos democratas do dia 25 de Abril. Sejamos todos democratas praticantes a 26 de Abril”, disse.

Paulo Lopes Silva, deputado municipal eleito pelo PS, 30 anos, frisou que “todas estas conquistas e sonhos de Abril se devem, na sua maioria, ao poder local”. “E a este poder local urge juntar mais competências, capacidade para as concretizar e centros de decisão mais próximos. Descentralização de competências e Regionalização. Está por dias o documento enquadrador do futuro quadro de competências descentralizadas e é absolutamente fundamental que dele, resulte o reforço das responsabilidades ao nível da gestão do setor da educação, da saúde, da ação social, da cultura e de um alargado conjunto de outras áreas, na capacidade dos eleitos locais darem resposta pronta”.

A encerrar a sessão, as palavras de José João Torrinha, presidente da Assembleia Municipal, 43 anos, disse que “comemorar o 25 de abril deve ser sim e acima de tudo a exaltação da liberdade”. “Exaltar a liberdade em todas as suas dimensões: política, económica, social. Então, dirão alguns, celebrar abril é uma desnecessidade, pois que o nosso regime democrático está mais do que consolidado e as liberdades individuais, mais do que garantidas”, terminou.