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Grupo Folclórico do Centro Social de Vila Nova de Sande, 40 anos na defesa das vivências de um povo
Grupo Folclórico do Centro Social de Vila Nova de Sande, 40 anos na defesa das vivências de um povo
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Quinta-feira, Junho 28, 2018

O Rancho Folclórico do Centro Social de Vila Nova de Sande foi fundado a 5 de junho de 1978. Sandra Martins, atual presidente deste grupo folclórico de Vila Nova de Sande, lembra que nos primeiros tempos não foi fácil, pois ensaiavam em garagens, os trajes nada tinham a ver com os que hoje são usados e os instrumentos foram sendo comprados a pouco e pouco.

A grande reviravolta neste grupo surgiu através da dinâmica implementada pelo presidente da Junta de Freguesia, Manuel Martins, isto a partir de 1984. Manuel Martins vivia intensamente o folclore, percebia desta cultura popular e pretendia marcar a diferença. Os trajes começaram a retratar condignamente a vida dos antepassados de Vila Nova: o de noivos, o domingueiro também usado nas romarias, o de trabalho em linho, o traje de feira usado nas deslocações para as compras e vendas dos produtos cultivados na altura, para além do de luxo, entre outros.

A preocupação com o rancho passou para a atual presidente da direção (cargo que ocupa desde 2010, altura em que faleceu o seu pai Manuel Martins), pois como diz, “não há presente sem passado, é importante saber de onde nós viemos”. O rancho de Vila Nova passou a ser federado desde 1991 e é nesses princípios que ainda hoje se mantém, como diz Sandra Martins: “É tentar retratar, da forma mais fiel possível, as tradições e costumes dos nossos antepassados, até para ajudar a dignificar esta cultura popular. Respeito os ranchos que não são federados, mas acho que todos ganharíamos em seguir determinadas normas”.

Desde os finais dos anos 80 do século XX, o rancho começou a ser mais solicitado, a participar nos melhores festivais e foi quando começou a promover e participar em festivais internacionais, destacando, com saudade, a participação, em 1986, no festival nacional do Algarve, que passou em direto na RTP1. O rancho de Vila Nova nunca mais parou, já esteve na Madeira, em Espanha e França por cinco vezes, já passou pela Alemanha, Mónaco, Hungria e cruzou o Atlântico para atuar no Brasil.

Manuel Martins também deu outro enquadramento legal a este grupo. Os seus estatutos foram publicados em Diário da Republica a 27 de abril de 1988 e o grupo deu entrada na Federação de Folclore Português em 1990. Mais tarde, em 1996 entrou no Inatel e, em 2001, foi um dos sócios fundadores da Associação de Folclore e Etnografia de Guimarães.

Neste momento, o Grupo Folclórico do Centro Social de Vila Nova de Sande é composto por 52 elementos, tendo 12 pares de dança, com a tradicional cantadeira e cantador, acompanhados por um coro de mulheres. A nível de instrumentos nada falha para honrar o folclore do Baixo Minho. O que cantam e dançam é um retrato fiel do trabalho de pesquisa levado a efeito por Manuel Martins. A presidente da direção desde 2010 destaca que nas atuações existem duas danças que são já obrigatórias: a Vareira Descansada e o Batoque “de que toda a gente gosta muito”.

Contrariamente a outros ranchos, o de Vila Nova de Sande é formado por muitos jovens: “É umas das coisas que nos questionam muitas vezes, como é que nós conseguimos ter e manter tantos jovens no nosso grupo. A direção tenta acarinhar as pessoas, tentamos que elas se sintam bem aqui, que sintam o rancho como uma segunda família”, aponta Sandra Martins.

Um dos problemas dos grupos folclóricos é o de sentirem que o folclore é visto como a “parte pobre da cultura”, o que se reflete também nos apoios institucionais: “Nós, só no nosso festival internacional, precisamos de 5 mil a 6 mil euros.” Da Câmara Municipal de Guimarães recebem mil euros, por ser um grupo federado, nas atuações, as comissões de festas querem pagar sempre menos, aqui, existem grupos que se oferecem por menos de metade do que seria um valor mínimo justo. Nestas condições, como refere Sandra Martins, a gestão do grupo de folclore de Vila Nova não é fácil, tendo de recorrer a patrocínios, a publicidade e à boa vontade dos seus membros.

Como se pode inverter esta situação? É lançada a questão. A resposta é virada para o interior do mundo do folclore: “Tem de ser um trabalho também feito pelos grupos folclóricos. Temos de valorizar o nosso trabalho, temos de nos apresentar condignamente através dos trajes, dos cantares e das danças, temos de mostrar que temos valor”.

Os ensaios são aos sábados à noite na excelente sede instalada no centro social e que merece uma visita face ao espólio aí existente. O convite fica feito.

40º aniversário do rancho de Vila Nova de Sande e 37ª edição do seu festival internacional de folclore
O Grupo Folclórico do Centro Social de Vila Nova de Sande, fundado a 5 de junho de 1978, comemora o seu 40º aniversário no próximo dia 9 de junho.

Do programa consta a realização de uma missa, pelas 17h30, seguida de uma romagem ao cemitério. No início da noite está marcado um jantar de aniversário, seguido da abertura de uma exposição fotográfica sobre os 40 anos deste grupo folclórico. A noite não acaba sem uma atuação especial do grupo folclórico, preparada para este aniversário.

No mês seguinte, mais precisamente a 21 de julho, está marcada a 37ª edição do seu festival internacional de folclore. Pela primeira vez, Vila Nova de Sande irá acolher um grupo vindo do Japão e outro do Taiti, para além de cinco outros grupos nacionais.

Trata-se de um festival que se vem realizando de uma forma ininterrupta, sempre com a presença de dois grupos estrangeiros, sendo uma das principais referências regionais do género.

O rancho de Vila Nova tem como referência principal o respeito pelas tradições, sendo pautado pela forma simples e fiel com que retrata o passado, os seus usos e costumes. É esta forma de estar que o tem levado a atuar nos principais palcos nacionais e em sucessivas deslocações ao estrangeiro.