Quando o intestino funciona demais… Diarreia: e agora, o que fazer?
Terça-feira, Julho 15, 2014

A diarreia é um problema que pode surgir por diversas causas: infeções por vírus (causa mais frequente); infeções por bactérias que se encontram na água ou nos alimentos (intoxicação alimentar); problemas de digestão de algumas comidas; efeitos laterais de medicamentos; entre outras causas.

Sendo as causas mais comuns as infeções por vírus ou bactérias (gastroenterites), a diarreia pode em algum grau ser prevenida se tiver certos cuidados com os alimentos: não beba leite ou produtos lácteos não-pasteurizados; lave muito bem as frutas e vegetais antes de os comer; mantenha os alimentos cozinhados bem acondicionados no frigorífico; cozinhe muito bem a carne, os ovos e o marisco; e lave muito bem as mãos, facas e tábuas de cozinha antes de preparar os alimentos que vão ser ingeridos crus.

No caso de iniciar um quadro de diarreia com ou sem vómitos, não é necessário ir de imediato ao médico. Há determinadas medidas que devem ser postas em prática, em casa, antes de se dirigir a uma unidade de saúde, tais como:
– Beber muitos líquidos ao longo do dia, de forma fracionada (ou seja, em pouca quantidade várias vezes ao dia). Este consiste no tratamento mais importante. Deve-se dar preferência por água e líquidos com açúcares e sal, como por exemplo água da sopa de arroz, sumo de fruta misturado com água, ou bebidas de hidratação (normalmente utilizadas após praticar desporto)… Regule a quantidade de líquidos pela coloração da urina: os líquidos que ingere são suficientes se a sua urina permanecer clarinha;

– Ingerir poucos alimentos. Nesta fase, o corpo precisa de se hidratar, sendo a ingestão de líquidos a prioridade. Os alimentos salgados são benéficos nesta fase por auxiliarem na hidratação. Boas escolhas são cozidos e grelhados, batatas, arroz, pão, bolachas de água e sal, bananas e sopa. Não necessita de evitar nenhum alimento em particular, no entanto é de bom senso evitar alimentos que têm maior potencial em acelerar o trânsito intestinal, e assim agravar os sintomas, como gorduras, café, laranjas, kiwis,…

– Se tem vómitos, evite ingerir alimentos ou líquidos imediatamente após vomitar. Deixe o estomago repousar pelo menos 30 minutos antes de reiniciar a ingestão de líquidos ou alimentos, que deve ser feito sempre em muito pequena quantidade de cada vez; evite alimentos que agravem as náuseas (p.e., alimentos ricos em gorduras).

– Medicamentos como pré-bióticos vendidos na farmácia, para regular a flora intestinal, são seguros e podem ser tomados (saccharomyces boulardii). Já outros medicamentos antidiarreicos (loperamida), de venda livre, só são seguros se não houver febre ou sangue nas fezes.
Lembre-se, também, que a diarreia causada por vírus é facilmente transmitida, tanto aos seus familiares como a outras pessoas com que tenha contacto, por isso é conveniente que tome determinados cuidados para evitar a sua transmissão:

– Lave muito bem as mãos antes e depois de cozinhar, comer, ir á casa de banho, assoar o nariz, …

-Fique em casa em repouso, regresse à escola ou ao trabalho apenas quando já se sentir melhor.

– Evite cumprimentar as pessoas com que se encontra na rua.

Se mantiver estes cuidados, a situação resolver-se-á em 2 a 3 dias. Deve procurar o seu médico se apresentar algum dos seguintes SINAIS DE ALARME:
– Os sintomas não melhoram após 48 horas;
– Apresentar mais de 6 dejeções líquidas em 1 hora;
– Apresentar diarreia com sangue ou muco;
– Apresentar fezes pretas ou sanguinolentas;
– Ter febre (temperatura ≥ 38ºC) que se mantém por mais de 24horas;
– Ter vómitos de sangue ou de conteúdo negro.
– Ter dor abdominal ou no peito muito intensa, bem localizada, que se mantém constante;
– Ter mais de 70 anos de idade;
– Apresentar sinais de desidratação (o que acontece quando há perda excessiva de líquidos pelas fezes, a qual não se está a conseguir compensar com a ingestão oral de líquidos). São sinais de desidratação: cansaço geral, tonturas, boca e línguas secas, sede excessiva, cãibras musculares, confusão, urina muito amarela ou de cor escura ou permanecer sem urinar por mais de 5 horas.

Na maioria dos casos não é necessário realizar exames. No caso de sinais de desidratação, o seu médico poderá pedir análises à urina e/ou às fezes, ou aconselhar a observação no serviço de urgência. Reserve a ida aos serviços de urgência hospitalares apenas no caso de ser aconselhado pelo médico de família ou apresentar sinais de alarme descritos anteriormente, o que deveria acontecer apenas na minoria dos casos que ocorrem na população.

Em caso de dúvida, procure o seu médico.

Fátima Dinis – Interna de Medicina Geral e Familiar