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Quando foi a última vez que falou com o seu presidente de junta?
Quinta-feira, Outubro 1, 2020

As Assembleias de Freguesia – AF são, ou deveriam ser, a personificação da democracia. Porque são constituídas por elementos de diferentes partidos e movimentos, porque têm espaço à intervenção do público, são locais privilegiados para a discussão, debate de ideias e construção de soluções com diferentes contributos. Ou assim deveria ser.

Infelizmente, as AF da nossa vila há muito perderam o público. Se há uns anos, a assistência às mesmas era concorrida, com casa bem composta e contributo de vários cidadãos, de há uns anos a esta parte, os taipenses desistiram da sua Assembleia, algo que aconteceu muito antes da pandemia e a AF se resumir apenas aos seus membros.

O tom de acusação e ataque pessoal, as mentiras  tantas vezes repetidas, os “cães de fila” sempre a debitar insultos caluniosos e ignóbeis nas redes sociais, foram, desde o início, a estratégia do Partido Socialista, uma estratégia de guerrilha, que cansou a oposição, e cansou os taipenses que se interessavam pela sua vila e faziam questão de participar nas assembleias.

Perde a democracia e, sobretudo, perde a nossa terra. A forma como as Assembleias decorrem atualmente, não traz qualquer benefício para ninguém. A Junta de Freguesia – JF não responde às questões da oposição, não dá os documentos que lhe são pedidos (e que são obrigados por lei a dar), e o presidente da junta, único membro do executivo que intervém, passa o tempo a debitar um discurso meramente retórico, que mostra que percebe muito de jogos políticos mas que conhece muito mal as Taipas e os taipenses.

As intervenções dos deputados socialistas são sempre iguais, e resumem-se a discursos bajuladores sobre o excelente trabalho que a junta de freguesia faz e que a anterior não fazia. A menos de um ano das eleições e o tema ainda é a anterior junta de freguesia, muitas vezes pela boca de quem, até há 3 anos, nada sabia da política local, mas que se acha competente para emitir juízos de valor sobre pessoas e realidades que desconhece por completo.

Chega a ser confrangedor ouvir os discursos da bancada socialista, ao rol de asneiras que regurgitam sobre um passado que desconhecem, ou teimam em inventar, soma-se o exagero de elogios que tecem à JF, principalmente, porque os mesmos não encontram eco na realidade da vila. Apesar de todos os milhões de euros que agora vêm para as Taipas, e antes não vinham porque a junta era de outra cor política (o que mostra o respeito que os atores políticos de Guimarães têm pela democracia), a vila está mais pobre, perdemos sentido de comunidade.

A JF é o órgão que, pela sua política de proximidade, melhor encarna a democracia. Não é competência da junta fazer obras, estas, quer pelo custo, quer pelas competências técnicas que exigem, são da responsabilidade do município (entidade a quem pagamos o IMI).

A função da JF é de cultivar uma política de proximidade com os cidadãos, ouvindo-os, percebendo quais as suas necessidades, recolhendo opiniões e contributos, dando-lhes voz, e então transmitir ao município os desejos da sua população e, exigir o cumprimento das mesmas. A principal função de uma JF deve ser o de cultivar o sentido de comunidade, de pertença, o de agregar as pessoas numa causa comum, respeitando e preservando a identidade e cultura da terra.

As democracias, tal como as casas, não se constroem de cima para baixo. É da base que devem emanar as decisões, é da comunidade que devem partir as soluções. E ouvir a comunidade não é andar a distribuir cartões de visita porta a porta de 4 em 4 anos. É andar na rua, falar com as pessoas, ter a junta aberta e receber toda a gente, a todas as horas.

Nunca os taipenses tiveram tão pouca voz como agora. Diga-me, quando foi a última vez que falou com o seu presidente de junta?