O quadro do Posto de Turismo das Taipas de Mário Monteiro Dias de Castro (1958-2018)
Quinta-feira, Julho 5, 2018

Na sala de reuniões da Junta de Freguesia de Caldelas podemos observar um quadro de grandes dimensões (altura-180cm; largura 300cm), que retrata os principais equipamentos desportivos, turísticos e hoteleiros de Caldas das Taipas, bem como as suas características naturais.

Este ano comemoram-se os 60 anos da sua existência. Através de um artigo publicado no semanário Notícias de Guimarães, de 1 de junho de 1958, pelo correspondente das Caldas das Taipas, o Sr. José de Oliveira (n.1909-f.1986), temos conhecimento de que este quadro foi encomendado em junho de 1958, pela então Junta de Turismo da Estância Termal das Taipas, ao pintor vimaranense Mário Monteiro Dias de Castro (n.1926-f.2011). Além desta obra artística, a Junta de Turismo encomendou igualmente novo mobiliário para a sua sede. Entre 1958-1993, este quadro esteve exposto numa das paredes do posto de turismo. De salientar, que neste posto de turismo, a junta de Turismo da Estância Termal das Taipas, organizava várias exposições de pinturas de artistas locais e nacionais. Em 1993, com o encerramento do Posto de Turismo, este quadro será depositado numa arrecadação da Câmara Municipal de Guimarães. Uma década depois, com a inauguração da nova sede da Junta de Freguesia, no antigo Posto Médico, esta obra seria novamente exposta ao público.

Além da sua importância artística e de nos possibilitar reconstituir parte da obra de Mário Monteiro Dias de Castro, irmão do conceituado médico e diretor clínico do estabelecimento termal, Dr. Augusto Monteiro Dias de Castro, este quadro permite-nos contextualizar segundo o olhar do seu autor e do encomendador, esta vila há 60 anos atrás.

No canto superior esquerdo deste quadro, o pintor retrata a piscina dos adultos, bem como a piscina das crianças, inauguradas em 1950. Tratava-se da primeira piscina pública do distrito de Braga. O artista dá destaque ao recinto de festas da piscina, onde eram realizados vários arraiais minhotos, com sessões de fogo preso, cujos proveitos revertiam para o Turismo Hóquei Club das Taipas. Nesta piscina, também se realizavam na época festivais náuticos dinamizados pelo Sport Club do Porto, e espetáculos com a orquestra João Calvário e pela cantora Amélia Canossa, do Porto. De salientar, que o artista pintou com minúcia o parque infantil, equipamento inovador para a época. Igualmente, o artista retratou os dois campos de ténis em terra batida, inaugurados há 70 anos (1948). No recinto da esplanada deste equipamento desportivo, nas décadas de 50 e 60 do século XX, além da prática desta modalidade realizavam-se espetáculos teatrais. Outro equipamento desportivo retratado, é o ringue de patinagem inaugurado há 80 anos atrás (1938 e remodelado em 2017), usado para a prática do hóquei em patins. Nesta pintura podemos visualizar dois hoquistas, um deles com o equipamento verde e branco, que eram as cores do clube local: Turismo Hóquei Clube das Taipas. Através destas duas estruturas desportivas inovadoras na época no concelho de Guimarães, esta vila termal transformou-se na década de 50 do século XX, num importante e dinâmico centro turístico e desportivo no norte de Portugal.

Neste quadro podemos visualizar o parque de merendas do parque do turismo, bem como a praia fluvial com estruturas de apoio. De salientar, a existência de unidades de recreio no rio Ave, nomeadamente o aluguer de barcos a remos, que totalizou na época uma frota de 10 embarcações. No canto inferior direito do quadro, visualizamos a prática da pesca desportiva. O parque de campismo é também representado, bem como a ribeira da Canhota.

No canto superior direito, é retratada a Citânia de Briteiros, um dos atrativos patrimoniais e muito visitada na época pelos aquistas e por todos que se hospedavam nesta vila. Igualmente é pintada a Ara de Trajano, classificada como monumento nacional desde junho de 1910. É dado relevo pelo artista, à indústria termal e hoteleira, através da representação dos “Banhos Novos”, com a sua icónica chaminé proveniente da caldeira a vapor, e pelo Hotel das Termas, inaugurado há um século atrás (1918).

Como motivo central e que cativa o olhar de todos que observam esta pintura encontra-se uma árvore de grande porte, que simboliza as características naturais desta estância termal.

Esta obra de arte inaugurada há 60 anos, que ao longo de décadas serviu o Posto de Turismo desta vila, conseguiu atravessar o tempo, mantendo viva a memória do seu autor, constituindo ainda hoje uma referência artística e pictórica desta vila.