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Proteínas e exercício físico: nem tudo o que é natural é seguro
Terça-feira, Julho 9, 2013

Hoje em dia as pessoas, muito influenciadas pela pressão da comunicação social para ter o corpo padrão, recorrem à prática de exercício físico em ginásios, health clubs e ao ar livre. Muitos dos frequentadores de ginásios, para obterem os resultados pretendidos, consomem suplementos alimentares (com proteínas, vitaminas, plantas entre outros).

Alimentos | Quantidade de proteína por cada 100g
Soja | 37g
Leite magro | 3,5g
Ovos (clara) | 11,1g
Queijo bola | 29g
Queijo magro | 39g
Presunto | 30,5g
Fiambre de peru | 22,4g
Amendoins torrados | 24g
Grão-de-bico | 20g
Lentilhas | 23,5g
Figado | 20,5g
Carne de vaca sem gordura | 21g
Carne de vaca magra | 20,7g
Carne de cordeiro | 21,2g
Peito de frango | 22,8g
Bife de vitela | 20,7g
Pescada | 15.9
Bacalhau | 17g
Atum | 23g
Salmão | 19g
Linguado | 16,5g
Sardinhas em conserva | 22g
Marisco | 20,1g

Os suplementos alimentares são produtos que são auxiliares da nutrição de um individuo e são constituídos por: vitaminas, minerais, ervas (componentes botânicos), proteínas ou uma combinação de vários destes elementos. Os suplementos alimentares são comercializados em farmácias, ginásios, lojas de desporto, internet e supermercados. Um estudo feito em ginásios e Health clubs de Coimbra revelou que 1 em cada 4 pessoas fazia um suplemento alimentar, a maioria contendo proteínas, e que a grande parte dos consumidores eram homens. Em 76% dos casos o suplemento foi iniciado sem indicação de um profissional da área (médico, nutricionista), e muitas vezes incentivados pelos amigos.

O nosso corpo é constituído por 10-15% de proteínas. Numa alimentação equilibrada as proteínas representam entre 10% a 35% da fonte de energia. O consumo de proteínas recomendado por dia, é de 0,8 – 0,9g por cada quilo do nosso peso, numa pessoa saudável. Esta quantidade de proteína é a necessária para manter as nossas reservas e impedir níveis muito baixos que possam ser prejudiciais à nossa saúde. De uma maneira geral, as várias sociedades científicas da área estão a recomendar quantidades diárias superiores para os atletas (1,2g a 1,7g por cada quilo). A fonte dessas proteínas deverão ser os alimentos da nossa dieta (ver tabela 1). Caso seja necessário complementar a quantidade de proteínas da dieta, poder-se-à recorrer aos suplementos proteicos (em pó, barras, concentrados) mas sempre com acompanhamento de um profissional de saúde.

Existe uma forte crença de que os suplementos aumentam a massa e a força muscular. No entanto o seu uso é polémico, pois não existem resultados científicos suficientes para o justificar e muitas vezes são consumidos em vez de se optar por uma alimentação variada e saudável.

Estas substâncias não são controladas pelo INFARMED [Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde] e o seu uso, por exceder as quantidades adequadas, pode levar a um maior risco de complicações na saúde (problemas na formação do osso, alterações do funcionamento do rim, maior risco de desenvolvimento de pedras de cálcio no rim, desidratação, osteoporose e risco de fratura dos ossos).

Mais importante do que comprar os suplementos é ter uma alimentação saudável, equilibrada e variada pois, lembre-se, que “nem sempre o que é natural é seguro”.

Journal of the American College of Nutrition, Vol. 19, No. 5, 513S–521S; Oliver AS, et all. Prevalence of protein use at gyms. Nutr Hosp. 2011;26(5):1168-1174; Phillips SM, et all. A Critical Examination of Dietary Protein Requirements, Benefits, and Excesses in Athletes. International Journal ot Sport Nutrition and Exercise Metabolism, 2007, 17, S58-S76; Phillips SM. Dietary protein requirements and adaptive advantages in athletes. British Journal of Nutrition (2012), 108, S158–S167

Ana Menezes – Médica Interna de Medicina Geral e Familiar