Propaganda barata (cara) e falta de ética
Quinta-feira, Janeiro 10, 2019

Aprende-se no ensino secundário que uma das características dos sistemas totalitários, extrema esquerda e extrema direita, é o uso da propaganda para afirmar as virtudes do estado.

Lembro-me que na disciplina de relações públicas havia um capítulo de aprendizagem da distinção entre as relações públicas, a publicidade e a propaganda. A propaganda é um modo organizado, pensado, para convencer visando dessa forma influenciar com fins políticos e ideológicos.

Como apreendemos que a propaganda é uma característica de estados com sistemas totalitários, fascistas e comunistas, fui levado à certeza que a propaganda estava ausente dos sistemas políticos democráticos e pluralistas.

Com tristeza e desencanto constato que era assim até António Costa e a união de facto que contraiu com a geringonça terem tomado conta das rédeas do país sem o conseguir domar, diga-se.

A exemplo do país, a freguesia segue o mesmo modelo de propaganda do poder central num mimetismo inadmissível.

Com os dinheiros públicos que deveriam ser usados para suprir os problemas e dificuldades das populações, anuncia-se, elogia-se, omite-se, publicam-se fotografias, textos, entrevistas, com o fim de influenciar os taipenses.

Numa revista distribuída gratuitamente no final do ano, a junta de freguesia publica fotos da escola secundária como se fosse esta junta, deste partido, que a reivindicou, que lutou por ela ao lado dos alunos e das associações de pais. É querer reescrever a história daquilo que andaram a atrasar durante décadas assumindo uma paternidade que pertence a outros: são os padrastos a assumirem-se como progenitores.

Diz o actual presidente da junta, nessa revista, a perguntas que ele próprio fez a si próprio, que no ano de 2018 “requalificamos o Parque de Lazer; “Inauguramos a Biblioteca da Escola da Charneca.” “Reabilitamos três ruas importantes: a rua da faísca, a rua da Charneca e rua Bento Ribeiro Salgado Barreto que estavam num estado de degradação avançado.”

Para quem acompanha, minimamente, as obras projectadas só pode ficar revoltado com a mentira flagrante, com a apropriação ilícita, com o furto descarado que o Presidente da Junta faz à Associação de Pais da Charneca, no caso da biblioteca, e a todos os que, incluindo munícipes, “berraram” junto do município da urgência e da emergência daquelas obras e as da Faísca, Charneca e Padre Bento Ribeiro Salgado Barreto.

O Senhor presidente da Junta sabe, tem consciência, não desconhece, que as obras naquelas três ruas estavam incluídas na rede de requalificação de estradas municipais de 2017: obras aprovadas, com cabimento orçamental, compromisso assumidos pelo município, com concurso público findo.

Face a tudo isto, factos, é muito feio furtar, fazer seu o que é dos outros, desvalorizando a acção de gente anónima – a Associação de Pais da Charneca – que se vê, pela declaração do Presidente da Junta, desfeiteada e desconsiderada.

Manipulação da realidade e dos factos para conseguir um efeito politico favorável – assenta como uma luva no conceito de propaganda.

Nota da redação: Esta crónica deveria ter sido publicada no número de janeiro do jornal Reflexo mas, devido a um lapso na comunicação de emails, tal não foi possível.