Promessas
Quinta-feira, Fevereiro 14, 2019

Passaram já dezasseis meses desde a última campanha eleitoral autárquica, onde um dos temas em destaque e assumido por todos os intervenientes, foi a mais que necessária intervenção na Rotunda de Silvares, por forma a acabar com o congestionamento de trânsito que se verifica nas horas de ponta para quem pretende entrar ou sair da cidade pela autoestrada.

Durante o período eleitoral, o PS e a coligação PSD/CDS, tornaram públicas as soluções técnicas que cada uma destas forças políticas entendia ser a mais adequada à resolução deste problema esgrimindo cada um os seus argumentos em defesa da sua proposta: o PS entendia que a rotunda deveria ter um desnivelamento subterrâneo para que quem circula entre a variante de Creixomil e a portagem da A7 não tenha que contornar a rotunda e a coligação PSD/CDS defendia uma passagem superior em viaduto. Se na solução técnica a adoptar havia divergência, no prazo apontado para a conclusão da obra estavam ambos de acordo, a obra estaria concluída mais coisa menos coisa, no final de 2018!

Os resultados eleitorais deram a vitória ao PS e como seria de esperar a solução ganhadora foi a do desnivelamento subterrâneo da Rotunda de Silvares.

Estamos em Fevereiro de 2019 e quanto a obra nem vê-la. Um cartaz colocado no local pelo PSD põe a nu aos automobilistas a promessa feita e o seu não cumprimento pela maioria socialista que lidera a Câmara Municipal de Guimarães. A reacção do PS não se fez esperar e em comunicado informa que “o estrangulamento rodoviário do nó de Silvares estaria resolvido se fosse competência da Câmara o que não acontece por culpa dos governos quer do PS quer do PSD…”

Fica para mim bastante clara a justificação que o PS local dá sobre o atraso verificado na conclusão da obra. É público que a Câmara não tem competência para intervir por si só nesta matéria e ambos os intervenientes ( PS e PSD), sabiam isso, ficando provado que ambos andaram a prometer prazos de execução que sabiam não depender exclusivamente da sua vontade e que por muito necessária e urgente que esta obra seja, e é, teria de contar sempre com a aprovação e a vontade de a executar da entidade tutelar, o IEP.

Como moral da história devem ser evitadas as promessas de fazer aquilo que não depende apenas de nós, porque sabemos que o risco é demasiado elevado quanto ao seu cumprimento. É natural e legítimo que se anuncie uma vontade ou intenção de fazer, nada a opor. Mas prometer que se faz num determinado prazo, quando como se verificou ainda não estava nada devidamente assumido, é enganar os eleitores e contribuir negativamente para o discurso populista que, infelizmente, engrossa o coro dos que diariamente se dedicam à descredibilização pública dos cidadãos envolvidos na acção política insistindo na tecla mais que gasta e com sentido pejorativo de que os políticos são todos iguais.