Projeto de valorização do Ave tem um ano para aproximar a população do rio
Projeto de valorização do Ave tem um ano para aproximar a população do rio
Paulo Dumas
Terça-feira, Outubro 15, 2019

O projeto “O Ave para Todos” contará nomeadamente com as juntas, escolas e brigadas verdes para estimular o “sentido de pertença” relativamente ao rio. O Laboratório da Paisagem irá produzir conhecimento tendo o Rio Ave como objeto de estudo.

Aproximar a população do rio e promover a investigação e a divulgação científica, são os eixos principais do projeto “O Ave para Todos”, que foi apresentado ao final da manhã de terça-feira, 15 de outubro.

Este é um projeto piloto, com incidência territorial no curso do ave e nas sua freguesias, que decorrerá no próximo ano e que deverá posteriormente ser replicado noutros canais ripícolas de Guimarães.

“O Ave para Todos” parte de uma iniciativa da Câmara Municipal de Guimarães e da vereação do Ambiente, através da Estrutura de Missão para o Desenvolvimento Sustentável – Guimarães 2030. A execução será coordenada pelo Laboratório da Paisagem, em articulação com outras entidades locais e nacionais, nomeadamente a Agencia Portuguesa do Ambiente.

A educação e a sensibilização, a investigação, a divulgação e a comunicação são os três eixos fundamentais do projeto. A arquitetura aproveita parte dos objetivos fundamentais para o desenvolvimento sustentável, estabelecidos pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

O eixo da educação e sensibilização parte de uma base de trabalho que prevê o envolvimento das comunidades locais. As escolas, as brigadas verdes e as juntas de freguesia, serão as estruturas que no terreno farão essa ligação. Um dos objetivos do projeto visa promover uma aproximação e uma apropriação do rio pelas populações.

Susana Falcão, diretora do Laboratório da Paisagem, sublinha que o primeiro eixo do projeto passará por transmitir algum conhecimento à comunidade por forma a que os agentes do território possam ajudar a cuidar do rio através da consciencialização da importância de preservação dos recursos hídricos.

“O primeiro objetivo é o de criar uma relação estreita e sentimental da população com o rio”, começa por explicar a responsável, adiantando que para isso será disponibilizado conhecimento teórico e prático, “para que a população possa agir e tornar-se proativa na revitalização do rio” – conclui Susana Falcão.

Ao longo do projeto, a população será convidada a participar em visitas de campo, em que serão feitas avaliações à biodiversidade, ao leito do rio e das margens, assim como a identificação de focos de poluição. Essas visitas serão feitas com a ajuda de uma “lista de verificação”. O resultado do conjunto destas avaliações levará à identificação de áreas e troços do rio com bons indicadores.

O Laboratório da Paisagem, em articulação com as entidades parceiras deste projeto, ficará encarregue ainda de prosseguir um estudo sistemático do Rio Ave, investigando as suas dinâmicas físicas e químicas, além de analisar a fauna e a flora existente na galeria do rio. Neste estudo do rio inclui-se a identificação de focos poluidores e a indicação das ações a tomar para a resolução de problemas.

Finalmente, o terceiro eixo passará pela comunicação dos resultados obtidos ao longo da execução do projeto. Para o efeito foi criada uma página web, onde deverá ser feita a divulgação das várias ações associadas ao projeto “O Ave para Todos”.

Domingos Bragança, presidente da Câmara Municipal, lembrou que o estado bacia hidrográfica do Ave foi uma das debilidades identificadas na candidatura a Capital Verde Europeia de 2018. O autarca assumiu que os resultados destes projetos serão fundamentais para que uma nova candidatura fique classificada em primeiro lugar.

Ainda de acordo com Domingos Bragança, o projeto “O Ave para Todos” deverá reverter o afastamento das comunidades ribeirinhas relativamente ao rio, em resultado de décadas de mau uso deste recurso. As conclusões e os resultados do projeto serão a base para a criação de praias fluviais no concelho e deverão ainda servir de suporte à construção de uma ecovia que permita percorrer todo o curso do rio, desde Castelões até Serzedelo.