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Primeiro-ministro português quer o país à frente do pelotão da UE numa década
Primeiro-ministro português quer o país à frente do pelotão da UE numa década
Paulo Dumas
Quarta-feira, Abril 10, 2019

Transformar a indústria portuguesa no sentido da digitalização e circularização da economia é o objetivo do i4.0. A segunda fase foi apresentada em Guimarães, lançando objetivos ambiciosos para a próxima década.

O primeiro-ministro António Costa esteve terça-feira, 9 de abril, em Guimarães para participar na cerimónia de lançamento da segunda fase no programa Indústria 4.0 (i4.0). Este programa foi inicialmente apresentado em janeiro de 2017, lançando as bases para a preparação do tecido empresarial português para a designada quarta revolução industrial.

O chefe de governo foi muito claro na definição do objetivo a atingir na próxima década. Portugal terá que crescer mais do que a média europeia para se posicionar no pelotão da frente. As condições de partida, mais favoráveis para Portugal, representam uma oportunidade que o país não poderá perder, sustenta o primeiro-ministro.

António Costa deu exemplo da capacidade de adaptação das empresas portuguesas. Áreas de atividade tradicionais como o “milenar” setor do vinho, do calçado e do têxtil, que têm conseguido provar que possível transformar conhecimento em valor, aplicando o ativo de o país dispor da “geração mais qualificada que o país alguma vez dispôs”.

Os objetivos estão quantificados. Três quartos das empresas portuguesas necessitam de uma transformação para a otimização dos seus recursos e da qualificação dos seus recursos humanos. Servem de exemplo os outros 25% de empresas que incorporaram a digitalização nos seus processos. O programa tem um fluxo de 600 milhões de euros para que esses objetivos sejam alcançados.

Em termos económicos, sublinhou o primeiro-ministro, é necessário aumentar em 1,8 o valor do PIB português para conseguir a convergência com a União Europeia. Para isso, Portugal precisa de crescer mais do que a média europeia na próxima década. É este o desiderato apresentado pelo governante e o facto de Portugal já estar a trabalhar pode ser uma oportunidade – “Se não agarrarmos a oportunidade, só nos podemos culpar a nós próprios”, disse o primeiro-ministro.

Projecto i9G é o mecanismo para aproximar conhecimento das empresas

A autarquia de Guimarães tem vindo a implementar um projeto que desenhou juntamente com a Universidade do Minho e um grupo de empresários, com o objetivo de criar pontes entre os centros de conhecimento e as empresas. Domingos Bragança apresentou o projeto vimaranese, como um exemplo do que está a ser feito para a prossecução dos objetivos da agenda do programa i4.0.

O autarca lembrou o investimento que está a ser feito ao nível da requalificação de edifícios para serem utilizados por instituições produtoras de conhecimento. Segundo Domingos Bragança, serão cerca de 30 milhões de euros, um esforço considerável para uma autarquia, para a instalação no concelho de valências ligadas a universidades e politécnicos.

No entretanto, o projeto i9G está a trabalhar numa transferência de conhecimento direcionado às necessidades reais das micro e médias empresas vimaraneses. A transformação para a adaptação digital e tecnológica do tecido empresarial vimaranense passa também por aqui.

A capacitação dos trabalhadores para esta nova realidade não foi esquecida, garantiu Domingos Bragança, assumindo a formação contínua um papel preponderante para o sucesso dos projetos empresariais. Para isso, lembrou outro projeto da autarquia, o da instalação no concelho da Academia Industrial, um projeto ambicionado pela Câmara Municipal de Guimarães.