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Primeira edição do Shortcutz termina hoje com a exibição dos últimos dois filmes
Primeira edição do Shortcutz termina hoje com a exibição dos últimos dois filmes
Quarta-feira, Novembro 23, 2016

Encerra hoje a primeira edição do Shortcutz Guimarães, com uma dezena de filmes em competição, para as sete categorias. Samuel Silva, um dos organizadores deste micro-festival dedicado às curtas, respondeu às nossas questõe

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A última sessão competitiva do Shortcutz Guimarães está marcada para as 21.45 horas de hoje, 23 de Novembro, na sede do Cineclube de Guimarães. Será exibido o filme “Engordar de forma saudável” – filme surpreendente do realizador búlgaro Kevork Aslanyan. A sessão de entrega de prémios será no dia 21 de Dezembro, o dia mais curto do ano, em associação com a iniciativa O Dia Mais Curto da Agência da Curta Metragem. Samuel Silva, um dos organizadores do festival, fala de um primeiro ano “extremamente positivo”.

Como correu este primeiro ano de Shortcutz em Guimarães?
O balanço é muito positivo, quer a nível do público, quer da qualidade dos filmes que conseguimos atrair para as sessões. Confesso que na primeira sessão ficámos espantados com a quantidade de pessoas que conseguimos chamar. Tivemos a sala de projecções do Cineclube cheia e fomos mantendo sempre esse registo, muito próximo da lotação esgotada ao longo das cinco sessões seguintes. Ao nível dos filmes, também foi um primeiro ano extremamente positivo. Concorreram dez filmes, todos eles de boa qualidade e alguns dos quais com carreiras muito promissoras no circuito de festivais. Conseguimos também cumprir com outros dois objectivos desta iniciativa. Por um lado, alargar o público cinéfilo em Guimarães, uma vez que nos apercebemos que os espectadores das sessões do Shortcutz não eram exclusivamente associados do Cineclube. Além disso, tivemos uma primeira iniciativa de descentralização com uma sessão nos Banhos Velhos, nas Taipas, durante o Verão, que também correu muito bem. Por outro, mostrar obras de pessoas que trabalham em cinema e estão ligadas a Guimarães e que habitualmente têm pouco espaço para mostrar as suas obras, como foi o caso do “Glória de fazer cinema em Portugal”, realizado por Manuel Mozos e com argumento do vimaranense Eduardo Brito, ou o “Não são Favas são feijocas”, da Tânia Dinis, uma artista com uma forte relação com Guimarães.

Quais os fundamentos do Shortcutz e o que vos levou a avançar com uma edição em Guimarães?
O Shortcutz Guimarães faz parte de rede internacional Shortcutz que está presente em Amesterdão, Berlim e Rio de Janeiro, por exemplo, e em Portugal em Lisboa, Porto, Viseu ou Funchal, entre outras cidades. É um pequeno festival dedicado às curtas-metragens, promovendo a divulgação deste formato cinematográfico que tem por vezes dificuldades de exibição. Pretende-se também promover um contacto mais directo entre o público e os criadores. Por isso, em todas as sessões os filmes são apresentados pelos respectivos realizadores ou por um outro membro das suas equipas, permitindo uma conversa sempre muito interessante com o público. O nosso objectivo ao trazer este formato para Guimarães foi criar um espaço de exibição regular de curtas-metragens, que não estão presentes regularmente na programação do Cineclube, atrair um novo público para o cinema em Guimarães (que creio ter sido provado possível nesta primeira edição) e também estimular a nova criação de cinema a partir da região. Tivemos um filme seleccionado da Universidade do Minho, “Nnha Storia”, de Inês Carrola (que foi agora nomeado para os prémios Sophia da Academia de Cinema), o que foi um primeiro exemplo do que gostaríamos que acontecesse mais: que filmes feitos nas escolas secundárias e profissionais e nas instituições de ensino superior na região sejam apresentados no Shortcutz.

Quantos filmes estão a concurso, como é feita a votação e o que acontecerá aos filmes vencedores?
Recebemos cerca de 30 filmes ao longo do ano, dos quais escolhemos dez para a competição. Esta primeira selecção é feita pela equipa de organização do Shortcutz Guimarães, que é constituída por mim e pela Luísa Alvão. Estes dez filmes, concorrem agora em sete categorias (Melhor filme, Melhor realizador, Melhor argumento, Melhor Actor, Melhor Actriz, Melhor Fotografia e Melhor edição), numa escolha feita por um júri que além dos dois elementos anteriormente apresentados inclui ainda o cineclubista Rui Silva, o professor, historiador e crítico de cinema Paulo Cunha e a actriz e realizadora Tânia Dinis. Será depois organizada uma sessão de vencedores com estes filmes escolhidos. Ao melhor filme, será atribuído um prémio de 250 euros. Somos o primeiro Shortcutz em Portugal a atribuir um prémio em dinheiro e esperamos dessa forma poder contribuir para a realização da obra seguinte destes cineastas.

Quais as perspectivas para a próxima edição?
O modelo está estabilizado nesta fase: uma sessão mensal, na última quarta-feira do mês. Mas para o próximo ano gostávamos de reforçar as linhas já identificadas este ano, a nível de diversificação de públicos e de um reforço da programação descentralizada, com mais sessões fora da cidade. Também queremos reforçar a comunicação junto das escolas, para atrairmos mais filmes e temos intenção de reforçar o nosso prémio monetário final para o melhor filme, transformando-o num apoio à criação cinematográfica a partir de Guimarães, em moldes que ainda estamos a estudar.

Entrevista Paulo Dumas