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Praia Seca
Quinta-feira, Outubro 31, 2019

Foi notícia, esta semana a inauguração da primeira fase do Parque de Lazer das Caldas das Taipas. Na cerimónia, que contou com a presença do presidente da câmara e demais personalidades políticas e gentes locais, foi dito pelo presidente da Junta de Caldelas, que este acto representa o início do processo da candidatura da Praia Seca a primeira Praia Fluvial do Concelho de Guimarães, pela Agência Portuguesa do Ambiente.

Para quem se interessa por estas matérias ambientais tudo que possa ser feito para travar o processo de degradação das margens dos nossos rios e da sua poluição, independentemente da denominação ou título utilizado, esta é uma boa notícia que deverá ser saudada e até replicada em outros cursos de água do nosso território.

O representante da APA, presente na cerimónia acrescentou que, ao contrário de 2015 e após intenso trabalho, os focos de poluição do Rio Ave a montante das Taipas reduziram consideravelmente.

Não pondo em causa o optimismo e a bondade que os responsáveis têm na apresentação destas propostas de requalificação, que considero serem sinceras e genuínas, no território continuamos a ter sinais que dizem o contrário do que nos é transmitido.

Na última Assembleia Municipal a deputada pela CDU Mariana Silva, questionou a Câmara Municipal sobre o processo do loteamento da Cumeada. Este loteamento foi iniciado no final dos anos 90 pela Junta de Freguesia de Gondomar, que se constituiu como entidade promotora, cujos proprietários (alguns deles membros da Junta) entregaram os terrenos e receberiam os lotes respectivos para livremente os comercializarem.

Como a maioria dos terrenos estavam classificados como Reserva Florestal, a autarquia chumbou o loteamento. Ficou por resolver pela Junta, responsável pelo investimento, a dívida à ABB por trabalhos abusivamente realizados antes da aprovação do projecto.

Para solucionar o problema foi estabelecido um acordo com a ABB, em Junho de 2017, onde se decidiu vender os terrenos actualmente ocupados pela pedreira, acrescentados de 40 hectares, mais uma bouça e um conjunto de lotes do futuro loteamento. Em troca a ABB completa as infraestruturas do loteamento. Estes terrenos que se pretendem vender são os antigos baldios, que após o 25 de Abril passaram para a posse administrativa da Junta.

Os rios e a qualidade das suas águas são cuidados a montante, acautelando e controlando o tipo de actividade económica instalada nas suas margens ou proximidade. Não podemos consentir que se concretize um acordo que, para libertar dificuldades financeiras de negócios de legalidade duvidosa, se hipoteque a qualidade de vida ambiental de toda uma comunidade, com a agravante de alguns episódios de poluição estarem sinalizados e resultarem da actividade das pedreiras instaladas neste local. Se de facto queremos um ambiente melhor e os rios despoluídos, temos que decidir por forma a dificultar e limitar o aumento e perpetuação de actividades económicas que não garantem os objectivos que todos dizem querer e desejar.