Ponto Final: O que é um Taipense?
Sexta-feira, Novembro 2, 2001

Em pleno mês de Outubro, um grupo de pessoas (para já não interessa se eram taipenses), juntaram-se no Salão Nobre dos Bombeiros, para discutirem a eventualidade de apresentação de uma lista às próximas eleições autárquicas de Dezembro.

Basicamente, por questões jornalísticas, mas não só, estive presente.

A reunião, apesar de não ser original (teríamos de recuar a um tempo próximo do 25 de Abril, para encontrarmos exemplos com o mesmo objectivo), é sem dúvida de louvar.

Cada vez mais e pelo que se pode ler na comunicação ou mesmo através de declarações dos políticos, verifica-se um afastamento dos nossos representantes políticos em relação ao povo que os elegeu. O auscultar a população e o saber respeitar as críticas parece que deixou de ser prioritário para os políticos, que eventualmente pensarão que se encontram num pedestal superior a qualquer um dos mortais.

Neste sentido, a iniciativa, vamos chamar de Os Independentes, marcou pontos junto da população taipense. É um facto que as listas do PS ou da CDU ou mesmo do PP e PSD (partidos que estão por trás desta lista) feitas em eleições anteriores, foram elaboradas numa roda de fiéis e não elaboradas e discutidas em reuniões públicas.

É óbvio que ninguém é inocente ao pensar que a lista de Os Independentes não estaria já mais ou menos elaborada. Um dos erros estratégicos dessa reunião, terá sido, precisamente, de os promotores não terem assumido que já existiam quatro ou cinco nomes dispostos a avançar. Foi necessária a intervenção de um elemento presente, que acabou por questionar directamente a mesa, sobre aquilo que todos já sabiam mas que ainda não tinha sido dito. Quem eram as pessoas que entrariam nessa lista? Faria sentido as pessoas darem a sua assinatura sem saber quem era a lista?

Manuel Marques da Silva, Armando Marques, Manuel Ribeiro, Armando Abreu e vai-não-vai, Carlos Marques, foram os nomes lançados pela mesa.

Fazer uma reunião aberta à população não significa que não existam a priori candidatos assumidos. Já alguém disse que os melhores improvisos acontecem quando são previamente preparados. Com isto quase passava sem abordar o assunto que dá o título a esta crónica.

A certa altura desta sessão um dos presentes tomou a palavra e, resumindo, lá veio a questão dos verdadeiros taipenses e dos que falam muito e nada fizeram ainda pelas Taipas.

O que se torna curioso é que quando surge a oportunidade de uma discussão à volta do que é um taipense, as pessoas não resistem à tentação de puxar dos galões e lá desfiam um rosário das grandes iniciativas e associações onde estiveram envolvidas. Àquele que, seja por que motivos for, ainda está a preparar-se para ser taipense, fica-lhe vedada a possibilidade de dar a sua opinião e lá vem a sentença: Pode falar muito bem mas não tem moral, não é taipense!

O ideal seria criar um aparelho, tipo raio X, ligado a um computador, onde uma pessoa entrava e seria passada de cima abaixo. Os dados seriam exaustivamente analisados pelo computador e depois lá sairia o veredicto.

Acabavam-se as discussões. Estávamos numa reunião, uma pessoa pedia a palavra. É taipense? Bem, eu… não sei bem! Máquina com ele. Resultado na mão, sendo positivo, a pessoa podia fazer parte da elite, caso o computador não desse essa pessoa como um válido taipense, lá teria de passar por um curso de formação.

Por exemplo, uma personalidade como Ferreira de Castro, que até tem um busto na vila, será um taipense?

Já estou a ver alguém também a dizer, escreve isto e nem é das Taipas!

Pois é! Mas ainda não existe a máquina de medir um taipense para sabermos quem teria resultado positivo.