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Pode ser diferente
Quinta-feira, Julho 18, 2019

É verdade que “Roma e Pavia não se fizeram num dia” mas, não é menos verdade que a todos os níveis da gestão municipal se exige uma maior capacidade de resposta na resolução dos principais problemas do concelho.

Falar no desnivelamento do acesso à autoestrada em Silvares já cansa, mas o facto de não se vislumbrar a obra de um projeto que está em execução há mais de dois anos, é o descrédito total de quem a cada três meses anuncia uma nova data para o início dos trabalhos. Já nem a comunicação social tem criatividade para ajudar a “aguentar” tanta demora. É o velho problema de quem tem mais “olhos que barriga”, querendo anunciar sucessivamente o que não pode concretizar.

Mas este é apenas um exemplo entre muitos que não cabem nos dedos das mãos. O prolongamento da Circular Urbana continua em projeto; o plano de transportes públicos apresentado com pompa e circunstância bem como a frota de autocarros elétricos anunciada há um ano, devem continuar em estudo; o acesso ao Avepark um dia será apresentado; o Orçamento Participativo, tirando raras exceções, enerva mais os proponentes que os motiva a participar civicamente; as principais obras de requalificação das acessibilidades às freguesias foram engavetadas num empréstimo que empurrará as obras para aquele ano fundamental do mandato – o último!

A par destes exemplos, há uma área que entendo ser fundamental e que imperdoavelmente a autarquia não acerta o tiro.

A captação de investimento assente numa estratégia profissional de promoção do desenvolvimento económico deste território é reclamada há muitos anos.

Aliás, área fulcral que é assumida pela maioria dos municípios como decisiva para o sucesso do seu modelo de governança. Havendo mais empresas, gera-se emprego líquido, aumenta o poder de compra, diminuem os problemas e a necessidade de respostas sociais… Resultado? Incrementa-se a qualidade de vida das populações, que é a missão principal de uma autarquia.

A Exposição Industrial de Guimarães de 1884 é o melhor exemplo da tradição e do potencial deste concelho para gerar negócios.

Se é um facto que a base do desenvolvimento económico está nas empresas e nos empreendedores, é hoje consensual que as autarquias assumem um papel cada vez mais relevante a este nível.

Em Guimarães a autarquia assenta este trabalho apenas no apoio às empresas existentes. Não tenho dúvidas que é fundamental acarinhar as empresas do nosso concelho, mas do que estamos a falar é de algo muito mais profundo que esta componente. Há um tremendo falhanço na captação de novas empresas e sectores de atividade, ao que se junta a inexistência de uma estratégia de diplomacia económica que sabemos ser decisiva para atrair grandes projetos internacionais.

Basta analisar a nossa taxa de desemprego para aferir que ela está praticamente estagnada, quando na maioria dos concelhos onde se leva a sério esta área, o indicador sofre descidas acentuadas.

Mas como podemos atrair empresas se continuamos a não ter uma resposta efetiva ao nível dos parques industriais? E se este fator acrescentarmos o martírio que é tratar de um processo de licenciamento?

É por demais evidente a falta de estratégia numa governação que já leva 30 anos de poder e que se vê envolvida em disputas internas pela sua manutenção.

Não faz bem a Guimarães este atrofiamento no seu desenvolvimento.

Salve-se pelo menos a fortíssima capacidade para cortar árvores onde se vão instalar os divertimentos da festas Gualterianas…