Pediatras alertam para os riscos de utilização das redes sociais por adolescentes
Pediatras alertam para os riscos de utilização das redes sociais por adolescentes
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Quinta-feira, Julho 18, 2019

Uma a duas horas por dia, especialmente à noite, é o padrão encontrado entre um conjunto de adolescentes dos 9 aos 12 anos, em escolas das Guimarães e Vizela na utilização das redes sociais. Estas são alguma conclusões de estudos desenvolvido no Hospital de Guimarães.

Um estudo desenvolvido por uma equipa de médicos pediatras do Hospital Senhora da Oliveira de Guimarães chegou à conclusão que há adolescentes que passam uma grande parte do seu tempo live usando redes sociais, tais como o Instagram, Facebook ou o Youtube.

A investigação, desenvolvida ao longo ano letivo de 2017/2018, teve como amostra mais de 3500 questionários junto de jovens com idades compreendidas entre os 9 e os 12 anos. Alunos das escolas dos agrupamentos Francisco de Holanda, Martins Sarmento e de Infias, no concelho de Vizela.

Apesar de se ter chegado à conclusão que mais de um quarto dos inquiridos (28%) passa a maior parte do seu tempo livre a utilizar as redes sociais, o estudo concluiu que tal não substitui a vontade de estar presencialmente com os amigos – 97% prefere estar com os seus amigos pessoalmente.

O estudo “As Redes Sociais e o Adolescente” indica ainda pistas sobre alguns riscos inerentes a este tipo de ferramentas eletrónicas – 65% já contactou com desconhecidos e 85% afirmam que os pais não têm acesso às suas contas, nem têm forma de monitorizar os conteúdos consultados online.

Um dos aspetos que esteve nas preocupações das autoras do estudo foi perceber o papel dos pais no controle e regulação do uso do telemóvel e em particular do uso das redes sociais. Conclui-se que os pais têm cada vez maior dificuldade em controlar o acesso dos filhos a estas plataformas.

A maior parte dos inquiridos (61%) assumiu já teve acesso a conteúdos que não eram considerados indicados, mentindo sobre a sua idade. Registou-se um entendimento generalizado entre os inquiridos que os conteúdos não eram prejudiciais para a sua privacidade.

O trabalho foi desenvolvido desde 2017 por Alícia Rebelo, Sofia Vasconcelos, Liliana Macedo e Miguel Salgado, médicos do Serviço de Pediatria do Hospital de Guimarães.

Alícia Rebelo entende que “as redes sociais não devem ser diabolizadas”, uma vez que trazem vantagens. No entanto, como pediatras, faz parte do seus papel alertar para os riscos inerentes à sua utilização.