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Parque da Caldeiroa: compreende?
Quinta-feira, Junho 1, 2017

Foram os vimaranenses convocados para “Sessão Informativa” sobre o Parque de Estacionamento da Caldeiroa. Foi a 22 de Maio. Um projeto que ascende a €5.757.579. Sala cheia. Interpelações diversas. Pertinentes. Fundamentadas. Apelos à suspensão do processo. Por meros quatro meses. Até às eleições autárquicas de 1 de Outubro. Arrogantemente, em 25 de Maio, três dias após a sessão, o Executivo adjudicou a obra.

Na sessão vários cidadãos interpelaram o candidato do PS à Câmara. Pediram estudos. Nem respostas. Nem estudos. Uma sessão informativa, sem informação. Que desiludiu. Que apenas acentuou inquietação. Só inquietação. Compreende o porquê desta ausência de informações?

O projeto implica a destruição de uma das últimas manchas verdes que subsistem no centro da cidade. De todas as alternativas é a mais intrusiva ambientalmente. O candidato do PS pauta o seu discurso pela afirmação de Guimarães como um concelho com preocupações ambientais. Compreende esta contradição entre o discurso e a prática?

Há pouco mais de um ano, em Assembleia Municipal, o executivo afirmou categoricamente que a oferta de estacionamento existente é suficiente para as necessidades. Um ano depois o mesmo executivo, de forma igualmente categórica, estaciona a sua mensagem no projetado Parque da Caldeiroa. Compreende esta categórica contradição?

Desde há décadas que a valorização patrimonial está no topo das preocupações de todos os agentes políticos vimaranenses. Foi assim com o Centro Histórico. Com bases lançadas por António Xavier (PSD) e que foi meritoriamente ampliado e prosseguido por António Magalhães (PS). É assim com o desígnio da ampliação da qualificação da Unesco à Zona de Couros. Seria assim com a potencial ampliação da qualificação às Ruas D. João I e Rua de Camões. O projeto apresentado pelo candidato do PS compromete seriamente este desígnio municipal. Compreende esta unilateral alteração de desígnio?

O Programa de Governo do Partido Socialista prevê que as grandes obras públicas careçam de uma maioria parlamentar alargada de 2/3 dos eleitos. O projeto do PS /Guimarães tem um custo de quase seis milhões de euros. É um investimento significativo. Ainda assim o candidato do partido socialista decidiu avançar, sem cuidar de obter uma significativa base de apoio ao seu projeto. Compreende este isolamento?

As eleições autárquicas estão marcadas para o próximo dia 1 de Outubro. André Coelho Lima – candidato da Coligação Juntos Por Guimarães à Presidência da Câmara – apresentou ao nível do estacionamento urbano um projeto totalmente diferente. Este voltou a ser o tempo do debate e da discussão. O tempo das decisões acabou. A decisão agora voltará a ser dos vimaranenses.

Estas são as dúvidas que me assaltam sobre o processo decisório. Bem como sobre a decisão. Consegue compreender o investimento e a sua necessidade? Consegue compreender o que fundamenta uma decisão apressada a três meses das eleições autárquicas? Que fatores não conhecidos podem fundamentar a tomada de uma decisão desta natureza a cerca de três meses das eleições? Qual é a pressa?