Para memória futura – mínimo ético
Sexta-feira, Outubro 4, 2019

Não gosto da palavra Estado vociferada no sentido de público, por oposição a privado e a particular, na conotação que lhe querem atribuir de que o público é que é bom e o privado, sejam os interesses, sejam as actividades, é mau.

Quem faz essa distinção, não inocente, quer atingir a integridade ética de quem não partilha perspectivas político/ ideológicas dos mesmos. É um arremesso político gratuito que quer fazer desacreditar.

Nunca ninguém ouviu dos partidos situados no centro direita dizer que a esquerda quer a miséria, a confrontação social, o caos económico, baixar pensões, salários baixos, condições de trabalho e precariedade laboral. Apesar do centro/direita ter a certeza absoluta de que as políticas de esquerda levam necessariamente a isso, ninguém ousa dizer que as esquerdas têm por objectivo a miséria, o desemprego, a baixa dos salários e das pensões. E não fazem isso porque existe um mínimo ético que deverá estar presente sempre que se fazem apreciações das outras perspectivas do que devem ser as opções, os caminhos de desenvolvimento e crescimento de um país. Nesse sentido de respeitar solenemente as ideias de outros, de cumprir a democracia pluralista, o centro/direita pede meças à esquerda sedenta de controlar tudo e todos.

O centro de direita nunca entrou nem entra pelo caminho fácil da calúnia ideológica – chamemos-lhe assim. Sim. Se o centro direita tem governado este país desde 2015, os salários tinham subido; o desemprego tinha baixado; a carga fiscal não era tão elevada; as pensões, principalmente as mínimas tinham subido mais; a economia tinha crescido, na senda de 2015, e o défice baixava. Mais, o peso das exportações no PIB aumentava; a balança de transações seria menos desequilibrada. Sim, porque o crescimento económico dos últimos 4 anos deveu-se às reformas do governo de Passos Coelho.

E esse efeito seria exponenciado porque o centro/direita tem o dom de acelerar a economia, com liberdade e responsabilidade, e de retirar os constrangimentos que impedem o investimento e o crescimento das empresas.

Temos que ter menos estado. Pela experiência histórica de muitos e muitos países, a omnipresença exclusiva do estado na economia, na saúde, no ensino, na cultura, nos transportes, nas vias de comunicação, tem dado mau resultado. Por comparação com os países que são do nosso pelotão da zona euro, Portugal tem-se atrasado apesar do crescimento da economia mais motivado por razões de demografia, fixação de estrangeiros com benefícios fiscais e comunidade brasileira; por razões do boom da democratização do turismo que puxaram pelo imobiliário, construção que é a locomotiva do crescimento económico.

O país não se preparou para uma crise; para uma subida da taxa de juro; para um retrocesso nas exportações, para um abrandar do turismo, para a caída do imobiliário, pois, reformas estruturais para isso não existiram.

Foi um gerir e repartir a abundância que outros, com muito sacrifício, criaram sendo acusados de querer o que nunca quiseram e nem querem. Sem ser demoníaco, fica este texto para memória futura, agora que em 6 e outubro vamos escolher o governo de Portugal dos próximos 4 anos.