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Pandemia deixa Bombeiros das Taipas com “futuro muito sombrio”
Pandemia deixa Bombeiros das Taipas com “futuro muito sombrio”
Terça-feira, Junho 16, 2020

As despesas mantêm-se as receitas caíram abruptamente. Fugir aos despedimentos será uma missão hercúlea na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários das Taipas uma vez que pela frente há “uma enorme incerteza”. Serviços à população ainda não falharam.

Um pouco por todos os setores da sociedade a pandemia Covid-19 tem deixado a sua marca e até instituições nevrálgicas como os bombeiros estão a sentir fortemente o impacto do momento atual que atravessamos. Com uma situação estável até à pandemia, perspetivando até obras de fundo na piscina, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários das Taipas têm pela frente “um futuro sombrio”. Com as principais fontes de receita impedidas de funcionar, nomeadamente a piscina e o transporte prescrito, o presidente dos Bombeiros das Taipas, José das Neves Machado, olha com grande incerteza para os tempos vindouros.

Em declarações ao Reflexo, o líder máximo da instituição há sensivelmente 27 anos dá conta da situação. “Olho para o futuro dos Bombeiros Voluntários das Taipas como sendo um futuro muito sombrio, porque os dois pilares de receita que tínhamos deixámos de ter; os transportes e a piscina, no caso da piscina encontra-se encerrada e não sabemos até quando, e os transportes começaram a funcionar mas para já com muita gente. Nos dias em que começámos a trabalhar os transportes estão a dar prejuízo, seria melhor estar parados. Quando iniciámos estes transportes estávamos a fazer um quinto dos transportes considerados normais. Não sabemos o que vai ser o futuro, porque as despesas, essas, são certas, e a receita está como referi”, explica, acrescentando que apenas no dia 18 de maio começaram a ser feitos os primeiros serviços de transporte.
Este cenário leva a que a manutenção de todos os postos de trabalho não possa ser um dado adquirido. “Estamos numa enorme incerteza; não podemos prever o que vai ser o futuro. Não sei se poderemos evitar o desemprego. Temos uma despesa considerável em salários”, assume José das Neves Machado, assegurando que “para já ainda não falhou nada, nos serviços prestados à população, nomeadamente socorro”.

No que ao material de proteção diz respeito, os Bombeiros das Taipas tiveram de comprar material mesmo tendo recebido muitas ofertas por parte de particulares, contrariamente ao que tem acontecido do Estado. “Do Estado não recebemos praticamente nada, recebemos há dias umas pequenas coisas a nível de material. Nesse aspeto os particulares têm sido exemplares, como têm sido sempre ao longo da história. Já nos deram muitas máscaras, viseiras e fatos. Mas mesmo assim tivemos de comprar também como despesas nossas. Mas nunca faltámos a serviços pela circunstância da Covid-19, felizmente nunca falhámos. Mas claro, é uma despesa permanente, temos um piquete permanente de doze homens, temos de lhes pagar as refeições, enfim, é sempre uma despesa extra. Para já promessa de subsídios ainda não há. Ao que parece iremos ter 5mil euros de subsídio por todo o trabalho relacionado com a Covid-19, mas é manifestamente insuficiente”, revela. Da parte do município, José das Neves Machado falou com Domingos Bragança antes do início da pandemia, que se comprometeu a auxiliar. “A um mês, talvez, do início da pandemia falei com o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Domingos Bragança, foi ele que me telefonou, e disse-lhe que a situações estava mesmo muito feia. Disse para contarmos com a Câmara Municipal de Guimarães, que o município teria de assumir alguma coisa. Perguntou quanto precisaria, mas o que disse é que naquela altura não sabia. Só quando isto entrar na nova normalidade, porque sabemos que como era nunca mais será”, aponta.

Para fazer face a esta situação complicada, José das Neves Machado apela à população para aumentar o número de associados. “A angariação de mais sócios seria sempre uma das formas de conseguirmos alguma coisa. Infelizmente não vamos poder contar muito com o tecido empresarial, porque sabemos como algumas empresas vão ficar, e esta era uma receita que tínhamos anualmente bastante considerável”, argumenta.

Obras na piscina em stand-by
Projetadas para e iniciarem durante o mês de maio as obras de fundo a que a piscina dos bombeiros seria sujeita estão, para já, em stand-by. Tal como o Reflexo deu conta, esta obra que inicialmente estava orçada em sensivelmente um milhão de euros ia reformular por completo esta valência, mas não irá avançar como estava inicialmente previsto. “Está tudo em stand-by, porque não há dinheiro. Uma bolsa que tínhamos razoável para começar as obras, nunca daria para pagar tudo, obviamente, nem metade, mas aproximava-se dos 50 por cento, vamos gastar esse dinheiro em transportes”, diz José das Neves Machado.