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Palavras
Segunda-feira, Janeiro 15, 2018

Voei com as palavras
Para um palácio de cristal
Onde só eu podia entrar.
Era o meu esconderijo
Secreto e frágil
Quebradiço e efémero
Como delicadas são as linhas
Que me autorizam a entrar.
Com sentidos próprios, somente meus,
Elas dão-me a mão
E, juntos, alcançamos o eido
Que nos dá acesso ao interior.
Um palácio fresco, amplo e aberto
De subtis, ténues perfumes
Sem paredes nem outras barragens
Onde posso vogar, pairar
Circular e circundar
E ficar com a noção
De que… também eu …
Sou parte do infinito
Do tudo e do nada
Que nos retém neste mundo
E depois nos liberta
Para nos recolhermos
No vaso das almas
E partir para outras
Senão as mesmas paragens.
As palavras… essas…
Não param quietas
E partem logo
À desfilada
Para outros horizontes
Em busca de novos sentidos.
Só eu me deixo ficar por lá
Por algum tempo
Em busca do guardião
Que nunca vejo
Por não ser chegada a hora
Ou por não ter direito.