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Os passes
Quinta-feira, Abril 11, 2019

Incompreensivelmente, ou talvez não, é apenas mais um sinal dos tempos que correm, as medidas governamentais que entraram em vigor na área dos transportes colectivos de passageiros, têm sido algo esquecidas e abafadas pelo “grande caso viral” da descoberta de graus de parentesco entre os membros do actual governo.

Ouvidos uns e outros, rosas e laranjas, conclui-se que mais primo ou menos prima, aquilo que hoje todos se indignam tem sido afinal uma prática utilizada no passado por anteriores governos de diferentes cores. Lamentáveis, de forma a suscitar um estado de alma equiparado ao que sentimos com situações de vergonha alheia, são os comentários indignados e depreciativos de antigos governantes a exigirem agora uma postura ética que lhes passou completamente ao lado quando no passado, enquanto membros do governo, conviveram com cenário idêntico.

Aqueles que acreditam em teorias da conspiração sustentam que tudo isto são meras manobras de diversão para desviar as atenções do que é fundamental para o desenvolvimento e bem- estar dos portugueses e do País.

Mas mais ou menos manobras, é um facto que no passado dia 1 de Abril, com a entrada em vigor do Programa de Apoio à Redução Tarifária dos Transportes Públicos (PARTT), muitos dos seus utentes que adquiriram os novos passes sociais e confirmaram os valores cobrados, perante a evidência de tamanha redução, comparada com as tarifas anteriores, por momentos devem ter pensado tratar-se de uma partida do dia das mentiras. Mas não é, é mesmo verdade, e só é possível porque houve um investimento governamental de 104 milhões de euros do Fundo Ambiental para a área dos transportes públicos.

Esta nova realidade vai ter grande impacto na aposta estratégica da promoção dos transportes públicos em Portugal, com ganhos evidentes ao nível da sustentabilidade ambiental e na economia dos seus utilizadores.

Guimarães também foi contemplada com este fundo em cerca de meio milhão de euros o que, aliado ao programa de mobilidade e transportes publicamente apresentado pela Câmara Municipal, onde são anunciadas as principais áreas de intervenção na área dos transportes, há grandes expectativas na intervenção a realizar nos transportes colectivos do concelho.

Para a história e sobre a autoria e paternidade destas medidas convém relembrar quem sempre lutou pela sua implementação: os utentes, as populações e o PCP, que desde 1997 tem apresentado na Assembleia da República propostas, sempre rejeitadas, para a resolução deste problema. Recentemente, em 2016, apresentou uma proposta na A.R. para a implementação do Passe Intermodal, sendo a mesma chumbada pelo PS, PSD e CDS. O BE absteve-se e só o PCP e o PEV votaram favoravelmente.

Passados 3 anos, não faltam padrinhos…