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Os Museus depois da pandemia
Quinta-feira, Maio 7, 2020

Parte da Secção de Epigrafia Latina e Escultura Antiga do Museu Martins Sarmento

Partindo do interesse filantrópico de curiosos, colecionadores e mesmo investigadores pioneiros, os museus mais antigos funcionavam como armazéns onde se depositavam peças, obras, documentos… coisas enfim, que, não sendo então valorizadas por toda a gente, eram-no por um grupo mais restrito de pessoas. O objetivo fulcral, que foi sendo afinado ao longo das décadas, sempre foi o de preservar. Mas à lógica do Museu, sobretudo depois do século XIX, sempre esteve implícita a disponibilização pública dos acervos, procurando desta forma promover a “instrucção” (com “c”) do público. É por isso aliás, que os museus mais antigos estavam ligados a instituições que promoviam a educação, como é o caso do Museu de Martins Sarmento, desenvolvido pelo próprio a partir de 1884, na sede da Sociedade de que é patrono, em Guimarães.

Claro que os museus hoje são muito mais que isso. São espaços disponíveis para o grande público, com variadas abordagens de interpretação às suas coleções, realização de eventos culturais, exposições temporárias temáticas, serviços especificamente destinados ao público infantil com um carácter educativo… Mas são sobretudo espaços de investigação. É o estudo dos acervos que garante a melhoria da interpretação e da qualidade da informação que é transmitida para o público. Aliás, cremos que a investigação das coleções estimula a criação de novas formas de comunicação e de imagem.

É por isso que, apesar da crise pandémica por que temos vindo a passar, os museus têm continuado a funcionar, mesmo que à porta fechada. Os trabalhos de conservação, inventário, estudo das peças, reconstrução da história e das histórias que estão por detrás de cada escultura, quadro, objeto cerâmico ou da mais pequena “pedrinha”, têm ocupado as equipas dos museus, bem como a divulgação virtual das coleções. Depois de um compreensível “pico” na procura de visitas virtuais, no início do período de confinamento, o público parece procurar agora novas atividades e informações.

Talvez novos hábitos e tendências, eventualmente propiciados pelas visitas virtuais, tenham despertado o interesse pelos museus e pelas suas atividades. A data anunciada pelo Governo para a possibilidade de reabertura dos espaços museológicos é o dia 18 de Maio, data em que, coincidentemente, se celebra o Dia Internacional dos Museus. Não será fácil retomar dinâmicas de visita, que terão que se adaptar a novas regras de segurança. Mas por cá continuaremos, promovendo a “instrucção”.