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Os Celtas da Ibéria
Quinta-feira, Março 12, 2020

Exemplo de escrita Celtibérica, alfabeto de influência fenícia ou grega, numa placa de bronze em forma de javali. Peça recolhida perto de Osma, Sória. Museu Numantino de Sória.
Imagem: auladeestudiosibericos.es

Como vimos, o termo “Celta” foi utilizado para enquadrar os habitantes de distintas áreas geográficas, à medida que a progressão da influência comercial romana, num primeiro momento, e as conquistas, num segundo, foram revelando aos autores clássicos novos territórios. Os povos proto-históricos apareciam aos olhos romanos como vagamente idênticos, o que é compreensível se pensarmos que a cultura e o modo de vida greco-romano eram vincadamente diferentes da maior parte das culturas da Europa Central e do Norte. Claro que isto não implica uma uniformidade étnica e cultural, mas sempre se verificou uma tendência para a generalização, ajudada pelo facto de os povos exteriores ao Império Romano falarem línguas aparentadas.

Desta forma, também na Península Ibérica os Romanos encontraram “povos Celtas”, nos territórios que, nos alvores da conquista, estavam mais afastados da influência mediterrânica, bastante vincada nos territórios do Sul e do Levante da Península. Quanto ao resto, era habitada por povos Celtas, ou de possível influência Celta, porque mesmo estes autores antigos, não se mostram muito seguros da caracterização que fazem. “Devem ser Celtas. Se o são, foi porque terão vindo da Gália…”. O raciocínio era um pouco este, abrindo a caixa de Pandora de possíveis invasões antigas dos vizinhos galos.

É também aos autores clássicos que se deve a originalidade da expressão “Celtibero”, demonstrando o que teria sido uma mistura entre culturas locais, ibéricas, e os Celtas que terão então vindo da Gália. No entanto, e curiosamente, embora o termo “Celtibero” seja utilizado hoje incorretamente para falar de outras áreas, foi utilizado na Antiguidade para definir um território concreto, a Leste da Meseta, entre as atuais províncias espanholas de Burgos, a Noroeste, e Cuenca, a Sul.

Assim, no vasto território peninsular, além da “faixa mediterrânica”, identificavam-se três territórios culturais nativos: o dos “Celtiberos”, na área que já referimos; o dos Lusitanos e Galaicos, entre o canto Noroeste da Península e o atual centro de Portugal; o dos “Célticos”, na zona do atual Alentejo. Todos teriam influências culturais Celtas, embora não se definam claramente que influências seriam essas, sobretudo à luz do conhecimento atual das comunidades proto-históricas.

Aqui se inclui, portanto, o Noroeste da Península, no qual despontam Lusitanos e Galaicos. Dois nomes que, por serem mencionados de forma tão confusa, se utilizam hoje mais como diferenciação geográfica entre os territórios a Norte e a Sul do Douro. Rio que, aliás, dificilmente marcava uma fronteira cultural…

Finalizaremos com mais um texto, procurando explicar e compreender o “celtismo” atual.